A vaca Mu

Aqui é Galo! / 08/02/2019 - 08h00
Galo

 

Lembrei-me da vaca Mu ao ver o Atlético em campo contra o Danubio. Nas peças de teatro da escola, ninguém queria ficar com aquela fantasia. Era pior que a da cobra, toda cintilante, e a do leão, que mais parecia um tapete que não era lavado há vários anos. O problema da vaca era a obrigação de compartilhá-la com alguém.
 
A desgastada roupa preta e branca só podia ser usada por dois alunos – um ficava com a cabeça e o outro, com o rabo. Sinceramente, não sei qual lado era pior. Era alvo certo de risadas da plateia. Sem muitos ensaios, o que se via no palco eram extremos seguindo direções completamente contrárias.
 
O Galo começou a sua participação da Copa Libertadores de um jeito meio Mu. Na frente, ataque envolvente, beneficiando-se de um Ricardo Oliveira em estado de graça. Atrás, desatenção e frouxidão na marcação, deixando um adversário que até então só havia feito jogos-treino encontrar facilmente o caminho do gol.
 
Claro, o resultado poderia ter sido mais indigesto, repetindo-se o papelão da arara da peça, que tropeçou e caiu sobre o cenário de cartolina. Seria o equivalente à desastrosa atuação contra o Jorge Wilstermann, há dois anos, nas oitavas-de-final da Libertadores. Antes do Danubio, era a nossa última lembrança da competição.
 
Não acredito que o Danubio será o carrasco da vez. Cristóforo – nome que parece surgir do cruzamento de um elemento químico, parente do fósforo, com um mineral do tipo da crisotila –precisaria ser muito mais eficiente do que foi no jogo em Montevidéu, quando realizou defesas incríveis. 
 
Pesquisando na internet, aliás, descubro que da crisotila (não confundir com a crisolita, por favor) se extrai uma fibra de alta resistência, o que pode explicar a atuação do goleiro. Meu interesse pelos minerais não é de hoje. Desde pequeno, gostava de ir ao Museu de Mineralogia, que antes ficava na Rua da Bahia.
 
Como o Atlético leva o Mineiro no nome, não dá para dispensar esse tipo de ligação. Uma pedra que definiu o time no ano passado foi a esfalerita. A origem da palavra está no grego sphaleros, que quer dizer enganoso. Apesar da classificação para a Libertadores, não faltaram jogadores que só fizeram esfalerita por aqui.
 
A Olivina é tão comum que se pode achar até em Marte, o lugar onde está até agora Fábio Santos, após os dois gols do Danubio terem saído justamente do seu lado. Zé Wellison deveria ser chamado de Zeólito, mineral que deu nome a um Power Ranger da série infantil e que tinha seus poderes aumentados com o passar do tempo.
 
Ninguém pode reclamar de sofrer do efeito da bissolita, que danifica os pulmões. Por sinal, o Patric teve gás de sobra. Parecia o Forrest Gump passando pela linha de fundo, sem conseguir parar. No ataque, seria bom ter um alofano por lá, que costuma atrair o fósforo – e tirar, quem sabe, a atenção do Cristóforo.
 
Em matéria de ataque, o melhor seria a Riebeckite, que, segundo os meus alfarrábios, é o mineral mais perigoso encontrado na Terra. Mas, se ao contrário, ele começar a parecer um kunzita, aí meus caros, vão sobrar pelucita, piropo, grossularite, tarapacaite, cuprita, vermiculite e abichita para todo lado.
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