Adeus, Cazares

Aqui é Galo! / 22/02/2019 - 12h47
cazares

 

 

Desculpem o título sensacionalista e pessimista. Até onde eu saiba, Cazares não está de saída do Atlético – esteve perto de dar adeus no ano passado, em direção às Arábias, mas felizmente (sim, o homem lá de cima gosta da gente) algo deu errado na transação e o dinheiro não caiu na conta.
 
Imagine se tivesse ido?
 
Será que Ricardo Oliveira estaria na artilharia da Pré-Libertadores e do Campeonato Mineiro, após receber passes açucarados do meia equatoriano?
 
Réver teria aberto o placar contra o Defensor, na quarta-feira, com a bola viajando como se fosse um objeto teleguiado até chegar, milimetricamente, à cabeça do zagueiro já apertado pela marcação?
 
Se juntarmos todos os melhores momentos do Galo no ano, o meia estará em praticamente todos eles. Criando, dando passes na medida e lançamentos que são quase meio gol, chutando de fora da área e cometendo “molequices”, como no instante em que, nos minutos finais da partida no estádio Luis Franzini, foi até a linha de fundo e fez mágica com a bola, só desconvidada a entrar devido ao travessão.
 
Cazares é hoje (desculpe Ricardo Oliveira) o melhor jogador do Atlético. 
 
O atacante nos dá a alegria do gol, de tirar o grito da garganta, mas é o camisa 10 quem realiza a magia, que faz o jogo ser aprazível à alma. Que bom é ser atleticano nestes momentos.
 
Qual time brasileiro tem um armador da qualidade (para não dizer, estatura) de Cazares? Não quero queimar a língua, mas neste 22 de fevereiro, o jogador parece anos-luz à frente de qualquer outro da posição. Se é para comparar, naquelas conversas triviais na mesa de bar, peça para jogarem um nome do Bayern de Munique, do Real Madrid, do Barcelona ou do Paris Saint-Germain.
 
Se fosse num jogo de tabuleiro como Banco Imobiliário, na versão antiga que tenho, Cazares seria, sem dúvida, o Morumbi, capaz de pôr à bancarrota quem caísse naquela casa. 
 
Cazares é hoje a razão de acreditarmos em títulos em 2019. Alguém que chama o jogo e não se intimida diante da pelota, como se tudo não passasse de uma brincadeira de criança. É esse olhar de menino gazeteiro que sentíamos falta. A saída de Ronaldinho Gaúcho, em 2014, havia deixado vaga essa doce maestria. Agora não mais.
 
É ele o Ferris Bueller atleticano. Aquele personagem que se diverte e nos diverte matando um dia de aula para poder usufruir um pouco de sol e mudar a vida das pessoas cantando “Twist and Shout”, dos Beatles, durante um desfile, sem ser molestado por ninguém.
 
Não vamos incomodá-lo. Deixem-no comandar as nossas sensações de torcedor embasbacado com as suas estripulias, que parecem tão naturais a ele.
Juani, como prefere deixar estampado na camisa, é a graça de Deus. Falo sem cometer heresia, puxando dos alfarrábios o significado do nome dele (Juan), originário do hebraico Iohanan, formado pelas junções de Yah (Deus) e Hannah (graça).
 
Se um menino num campinho sujo de terra disser “Quero ser Cazares!”, eu só posso dizer “amém, senhor!”.
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