Alerta para nuvens carregadas em 2019

Aqui é Galo! / 25/04/2019 - 13h43
santana

 

Com o vizinho de cima salivando todo tipo de zoeira, após a 20ª latona de cerveja, não senti, de forma alguma, que foi uma “tempestadezinha” a eliminação do Atlético na fase de grupo da Copa Libertadores, como definido por Leonardo Silva. 
 
O clima ficou feio e sobrou raios e trovoadas para todos os lados. Lembrei-me daquela animação que via quando criança, a “Corrida Maluca”, em que um dos concorrentes – o de número 2 – era o Coupê Assombrado, pilotado por Medinho e Medonho.
 
Era um carro em forma de casa fantasmagórica, como aqueles castelos góticos da Transilvânia, cheio de morcegos ao redor dele, que, mesmo em dias ensolarados, não abria mão de uma nuvem negra e de uma chuva intensa sobre ele.
 
É a imagem do Atlético em 2019, um carango alquebrado e desgovernado, que também nos remete ao desenho do Coiote que, após mais uma tentativa frustrada de pegar o Papa-Léguas, explode e surge só com o volante à mão, invariavelmente caindo num precipício.
 
E o engraçado, fico sabendo agora, é que o Papa-Léguas é um galo corredor. Pelo desenho, também é um ótimo calculista, desviando-se milimetricamente de todos os materiais lançados contra ele. Neste quesito, o nosso Galo tiraria nota zero.
 
Na TV, o comentarista não para de falar que o Atlético tem mais volume, mas sem conseguir transformar essa vantagem em gols. Virou uma historinha repetida. Parece o Lobo Mau soprando uma casa de tijolos na história dos “Três Porquinhos”. Tanto esforço em vão.
 
Num único lance, o adversário chega na cara de Victor e marca o gol da vitória. Foi assim contra o Cerro Portenho, o Nacional e foi quase contra o Zamora. Voltou a se repetir na noite de terça, outra vez diante do Nacional. A Libertadores, por sinal, foi um atestado de impotência.
 
Aos 45 anos, com receio de perder em algum tempo, digamos, o meu vigor sexual, imagino que a frustração deve ser a mesma do ataque atleticano, que se esforça muito e, na hora H, falha no arremate. O gol é, como já diziam os locutores, o momento maior do futebol.
 
O time do Atlético não é ruim. Longe disso. Mas deve sofrer de algum tipo de envelhecimento precoce. Míope, sem enxergar o gol à frente, amnésico ao esquecer de que pode usar outras jogadas e com barriga pronunciada, como mostrou por vezes a organização em campo.
 
Quando vi o alvinegro, já no desespero, tentando alçar uma bola na área para Léo Silva cabecear, tive a nítida impressão de que o time achava que estava na final de 2013, repetindo a jogada do gol que levou às penalidades. Só que ninguém mais cai mais nessa pegadinha.
 
É um dos efeitos da idade avançada: as imagens do passado são mais nítidas, e você se vê contando histórias repetidas como se fossem a primeira vez. A musculatura fica frágil, já sem os reflexos rápidos, com os torcedores, bem antes da jogada se concretizar, desenhando o gol que o Galo levará.
 
Os gols tomados na Libertadores foram assim, grotescos, bisonhos, frutos de um apagão generalizado. Bisonho, confiro no dicionário, significa “sujeito que não presta atenção nas coisas ao seu redor”. 
 
Por ironia do destino, surge Rodrigo Santana como um médico interino. Para quem não sabe, o sobrenome Santana vem de Santa Ana, justamente a padroeira dos vovôs.
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