Antes da Chuva

Aqui é Galo! / 21/11/2015 - 09h13

Prefiro que tirem dois empates, para depois obter três vitórias seguidas. Não iria mudar em nada a conquista do título pelo Corinthians, mas pelo menos o Atlético teria a possibilidade de chegar aos 72 pontos, o mesmo número com o qual encerrou o Brasileiro de 2012. A matemática do futebol, infelizmente, tratou de fazer dessa meta mística algo impraticável.

De resto, o atleticano mais supersticioso está prestes a entrar numa espécie de déjà vu, que é aquela sensação de já ter vivenciado uma determinada situação antes. Grêmio na terceira colocação. São Paulo na quarta. Se o Palmeiras vencer a Copa do Brasil, diante do Santos, o caminho dos times para a Libertadores terá sido o mesmo.

Só substituiríamos o Fluminense pelo Corinthians, que, vale lembrar, tiveram campanhas muito semelhantes. Tanto em 2012 como em 2015 o Galo largou na frente e foi alcançado não só pelos méritos do adversário, mas também por uma ajudinha da arbitragem. De toda forma, o Corinthians – campeão da Libertadores daquele ano – garantiu o seu lugar na competição de 2013.

A bem da verdade, dos seis times que iniciaram o torneio sul-americano de dois anos atrás, só faltaria o Fluminense, clube vezeiro em conseguir viradas de mesa e, quem sabe, não encontraria uma brecha no regulamento para disputar a Libertadores novamente. Talvez um wild card (convite) da confederação, como acontece no tênis.

Para o atleticano, é como se começasse um ciclo de três anos, a exemplo dos três estágios da água, chamados de ciclo hidrológico. Estaríamos agora na fase de evaporação, subindo aos céus para reunir forças para, no momento seguinte, cair como uma intensa precipitação (chuva), arrancando tudo que está à frente (o escoamento).

A chuva de 2013 atingiu o deserto de títulos vivido pelo Atlético e trouxe aquele cheiro característico de terra molhada, como se lavasse a alma da Massa, fazendo brotar a semente do Novo Atlético, impetuoso e vibrante. Não é por acaso que, já no primeiro confronto, diante do São Paulo, a água estava presente, distribuída em vários copinhos com os dizeres “Aqui tem água”.

Tratava-se de uma provocação ao rival, que estreou no Mineirão completamente de torneiras fechadas, deixando seu torcedor sedento. Mas foi simbólico do que se veria depois, especialmente na origem do gol que abriu o caminho da vitória, quando Ronaldinho Gaúcho iludiu o adversário, posicionando-se próximo à área com a desculpa de pedir água ao goleiro Rogério Ceni.

Como uma parte da água que cai sobre a Terra é absorvida pelas raízes das árvores, a vontade de novamente fazer o impossível se fixou em cada jogador em 2014. Estamos na fase de evaporação mais uma vez, que pode ganhar outra conotação para alguns jogadores. No sentido de desaparecer, literalmente. O futebol deles, vamos admitir, foi o primeiro a “sumir”.

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