Bendita unção

Aqui é Galo! / 09/05/2017 - 14h40
Roger

 

É igual deixar o noivo ver a futura esposa com o vestido de casamento. Dá azar. Quando eu vi os assessores da Federação Mineira de Futebol chamando o time atleticano para uma foto, antes do início da partida final, ao lado do troféu de campeão, temi pelo pior. Felizmente, os jogadores se recusaram a mudar de lugar – eles já tinham se postado à frente da taça, praticamente tampando-a na fotografia.
 
Acredito que a recusa não foi por preguiça ou coisa que o valha, mas porque os jogadores preferiram não brincar com velhas superstições. Aliás, tudo que cerca o Galo tem um pouco dessa mística, do terço recebido por Victor e posto na linha do gol, antes das cobranças de pênaltis na decisão da Copa Libertadores de 2013, à camisa preta de Cuca estampada com a imagem de Nossa Senhora, na mesma partida.
 
Para a maioria dos torcedores, as grandes viradas de placar, que chegaram ao ápice na Copa do Brasil de 2014, vieram na esteira desses ventos benfazejos, que imprimiam uma força e uma velocidade sem igual ao time que tinha, entre seus destaques, nada menos do que Jesus – o argentino Dátolo, que aparentemente usou todo o seu dom naquele ano, deixando o Atlético no final de 2016, após uma série de contusões.
 
Montar um time é como um casamento, especialmente entre técnico e jogadores. E, na determinação de cada um deles para chegar ao título, o caminho até o altar já estava trilhado. Só faltava o Adilson para todas as peças finalmente se encaixarem. Não poderíamos esperar outra coisa de alguém que, na certidão de nascimento, tem um Bom Princípio, pequena cidade do Rio Grande do Sul, de colonização alemã, onde nasceu.
 
Curiosamente, a superstição sobre ver a noiva antes do casamento tem relação com uma época em que os postulantes mal se conheciam antes de proferirem o “sim” diante do padre. Tudo era arranjado pelos pais, que não deixavam eles se verem antes do dia D para que uma das partes não desistisse de última hora, após uma má impressão. Já foi o tempo em que o próprio Galo escolhia jogadores por vídeo ou indicação de empresários.
 
Na Rússia, país onde Adilson jogou por cinco anos antes do “sim” ao alvinegro, ainda é possível encontrar agências cuja a finalidade é ajudar a encontrar a alma gêmea. Para a nossa sorte, o volante exibiu, em pouco tempo, qualidades sempre prezadas pela Massa, como a raça, a vontade de se superar constantemente e, claro, a habilidade. Quem sabe um sinal (divino?) de que podemos esperar por mais títulos em 2017.
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