Cavalo paraguaio?

Aqui é Galo! / 29/09/2019 - 14h08
atletico

 

 
É sempre a mesma coisa: Julia diz que está com aquela fome, põe mais comida do que deveria no prato e deixa praticamente a metade. Outro dia, não aguentei e falei que ela estava igual ao Atlético, começando bem o ano, mostrando bom apetite, para depois dá sinais de bulimia, colocando tudo que conquistou para fora.
 
Foi assim no primeiro semestre de 2018, quando parecia o Popeye após engolir uma lata inteira de espinafre. Nos meses seguintes, veio a transformação para Olivia Palito. Agora, depois de frequentar as primeiras colocações antes da Copa América, o alvinegro está em queda livre no Campeonato Brasileiro, com seis derrotas consecutivas.
 
O time parou nos 27, que é uma espécie de número maldito, especialmente para quem gosta de música. Com essa idade, faleceram nomes como Brian Jones (Rolling Stones), Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (The Doors) e Kurt Cobain (Nirvana).
 
Ainda bem que o jogo contra o Colón caiu num dia 26, pois uma noite a mais eu já daria como liquidada a possibilidade de classificação para a final da Copa Sul-Americana, sem poder cantar de Galo em seu terreiro.
 
A questão é que, pior do que a maldição musical, o Atlético vive o inferno das metades. O primeiro jogo contra o Colón foi um exemplo disso. No primeiro tempo, os mineiros dominaram. Na segunda etapa, uma amnésia total se abateu sobre os jogadores.
 
Coincidência ou não, o mais famoso número 27 do Galo é o Luan, hoje no banco de reservas e com poucas entradas em campo. Este momento de Luan é muito simbólico da situação do Atlético no ano, sem exibir a mesma técnica e raça do primeiro semestre.
 
Otero, que vinha sendo muito utilizado por Rodrigo Santana, também caiu em ostracismo. Victor se machucou e não deu mais as caras. A zaga vive um processo constante de busca de entrosamento. Vina deixou de marcar um gol atrás do outro. E Cazares passa por um transtorno bipolar futebolístico.
 
Se não garantir hoje a vaga, o ano praticamente terá terminado para o Galo, com três meses de antecedência. Uma ressaca brava tomará conta da torcida, que mais uma vez carregará a sensação de nunca ter visto um campeonato tão fácil de ganhar.
 
Se vencer. mesmo sem convencer, terá garantido mais um mês de expectativa por um titulo continental, uma situação que poderá se tornar surreal se o time continuar descendo ladeira no Brasileiro como está.
 
Será um mês, certamente, sofrido, como se tivessem dois Atléticos - aquele que é alvo das críticas da Massa, jogando pior a cada partida, e outro que, independentemente da má fase, pode se tornar a tábua de salvação para evitar mais uma temporada pífia.
 
Sofrimento é palavra de ordem para qualquer atleticano que se preze, mas estendê-lo até 9 de novembro é masoquismo puro. É estar compensando uma dor contínua por um prazer único que poderá não acontecer.
 
Sem este título tão vital à autoestima atleticana, estaremos diante da síntese do cavalo paraguaio - expressão usada para designar times que exibem, justamente, uma boa atuação no início da competição e depois se mostram uma grande decepção.
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