Cazares na veia!

Aqui é Galo! / 17/05/2019 - 06h00
cazares

 

Vi com os meus próprios olhos. Não foi ninguém quem me falou, embora meio mundo já sabia ou desconfiava. O time do Galo, é preciso dizer, está viciado em Cazares, esta droga que, em poucos segundos, faz o grupo jogar mais bola, acreditar que pode vencer uma partida e promov*er uma verdadeira blitz na área adversária.
 
O efeito de uma entrada em campo do equatoriano, como pudemos ver na quarta-feira, na estreia do Atlético na Copa do Brasil, mexeu imediatamente com a confiança e o vigor da equipe, como se ele tivesse sido injetado diretamente na veia dos jogadores, logo atingindo o córtex cerebral responsável pelas ações.
 
Durante boa parte do segundo tempo, as áreas sensoriais do córtex passaram a receber e processar impulsos visuais, auditivos, gustativos e olfativos em alta velocidade. Era um Atlético em 3D, como gostamos de ver jogar, longe daquele time bidimensional, previsível, preguiçoso e desorganizado.
 
Não que a equipe tenha virado um Barcelona de uma hora para outra, mas chutou de fora da área, tentou avançar pelo meio em tabelas ou em passagens pelas laterais, com lançamentos rasteiros ou “chuveirados” buscando alguém na cara do gol. A energia se distribuiu por todo o estádio. Só faltou a vitória.
 
É assim o efeito de uma dose de Cazares, sinônimo de passes precisos e chutes perigosos. Está certo que, às vezes, o desconcerto é tão grande que, numa cobrança de escanteio, a bola sai inteiramente da linha. Cazares é isso, um modafinil em forma de gente, o “smart drug” humano mais poderoso que a cafeína, a efedrina e a ritalina.
 
Lembrei-me daquele filme com Scarlet Johansson (a minha Marilyn Monroe), “Lucy”. A sua personagem tem uma droga cirurgicamente implantada no abdômen, mas, a certa altura, esta vaza para dentro do corpo. Ela vira uma espécie de super-mulher, adquirindo capacidades físicas e mentais únicas, como telepatia, telecinese, eletrocinese e QI elevadíssimo.
 
Como qualquer droga, porém, Cazares tem efeitos colaterais que costumam incomodar bastante os técnicos e os dirigentes, como faltar ou chegar atrasado em treinamentos, reações emocionais diferentes que estão relacionadas ao sistema límbico. Ora, o doutor Lasmar deve saber, lesões nesta área, associadas ao núcleo ventromedial, provocam reações de fuga.
 
O Galo de 2019 é este, o do doping. Não há outro remédio no time que faça efeito tão imediato quanto Cazares. Alguns jogadores têm função meramente profilática, quando não a de um placebo – enganam num primeiro momento, mas quando a dor aumenta só uma passagem pelo hospital para dar jeito.
 
Cazares não pode ser usado com moderação, não pode ter posologia, não pode ser ingerido com água ou ser banido do grupo atleticano. Cazares é a graça, o estímulo, o curto-circuito necessário ao futebol mecanizado de hoje. Dessa droga que precisamos a cada jogo, sem contra-indicações. 
 
É Cazares na veia!
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