De onde vem tanta doçura?

Aqui é Galo! / 19/12/2015 - 10h27

Lollo poderá ser o novo reforço do Atlético de 2015. Como estamos em tempos de revival dos anos 80, logo imaginei um Galo retrô, recheado de elementos daquela época. Tentaram “globalizar” o famoso chocolate ao leite, dando-lhe o nome de Milkybar, mas a vaquinha amarela com flores na boca retornou, nesse ano, com sua marca brasileira original. O Lollo que tem chances de chegar ao CT de Vespasiano, porém, é argentino.

Ao verificar a procedência, percebi que o time que revelou esse Lollo é pirata, pelo menos assim é chamado o Belgrano por seus torcedores. Talvez o melhor fosse continuar com a receita antiga, com Jemerson e Léo Silva, dando oportunidades a Edcarlos e Tiago, esse sim, com possibilidades de (para não sair do setor dos doces) virar Surpresa. O tablete estampado por um tigre, é bom lembrar, tinha como característica a diversidade.

Como o chocolate que ressaltava a grande variedade da fauna e flora mundial em cards educativos, que podiam ser colados num álbum, Tiago defende bem, faz gols e tem um perigoso chute de falta. O zagueiro possivelmente nunca degustou do chocolate, que foi lançado no Brasil em 1983 (o jogador nasceu em 1990). Imagino que também não tenha mascado um Ping Pong, o chiclete que eu comprava por causa das figurinhas.

Quase ganhei uma cárie ao fazer a coleção da Copa do Mundo de 1982, só faltando o goleiro Arconada, da Espanha, para completar. O chicle era duro, deixando o maxilar bem dolorido. Como o lateral Marcos Rocha de 2015, que exagerou no desleixo defensivo. Vacilou contra o Internacional, na Libertadores, ao deixar Lisandro Lopez cara a cara com Victor. Assim como o Ping Pong, compensou na bola redonda, no apoio ao ataque.

Quando vejo Lucas Pratto em ação, eu me lembro das bolachas do Fofy Sports, frequentadoras assíduas das lancheiras. Os biscoitos recheados com chocolate ou caramelo tinham o formato de ursinhos praticantes de esportes, como skatistas e jogadores de futebol. A prática mais comum era comer pedaço por pedaço, dos braços e pés ao corpo. A bolacha saiu de cena pouco depois, o que não esperamos acontecer tão cedo com Pratto.

Outro tipo de biscoito era o wafer, que por aqui virou sinônimo de Mirabel. De tão gostoso, a gente devorava as oito unidades escondido, para não dividir com ninguém. “Fomiagem” muito parecida com a do atacante Carlos, que deve ter pregado um barbantinho na bola para ela não escapar de seus pés. E quem não se recorda das balas Soft, que faziam o estilo “ame ou odeie” do armador argentino Dátolo?

Assim como aquela lenda de que havia um punhal no interior do boneco do Fofão, as balinhas coloridas também ganharam histórias bizarras, uma delas sobre nazistas que a criaram para matar a população sul-americana. É sabido que vários oficiais da SS de Adolf Hitler buscaram refúgio na Argentina, mas a única coisa que Dátolo é capaz de “matar”, e de raiva, é o torcedor atleticano, quando não está no melhor dos seus dias.

Na verdade, a bala era perigosa sim, podendo levar à asfixia, por conta do risco de tampar a traqueia. Não tinha nada pior, para mim, do que o pirulito Zorro. Delicioso quando se começava comer, acabava grudando nos dentes. Esse é o cuidado que o Galo precisa ter nesse período de contratações: um belo sorriso pode ser estragado com aquisições que, aparentemente vistosas, podem trocar o doce pelo amargo.

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