Faz mais um 21, vai!

Aqui é Galo! / 09/05/2019 - 10h34
alerrandro

 

 
Só me vinha à cabeça a atriz Ana Paula Arósio, na propaganda, pedindo para fazer um 21. Isso até terça à noite. Depois da quarta vitória seguida por 2 a 1, até os mais céticos tentam enxergar um sinal, como se um holofote mirasse o céu e mostrasse o símbolo do Batman, salvando um início de temporada ruim.
 
Mesmo eliminado da Copa Libertadores, o triunfo sobre o Zamora nos “salvou”, seja nos cofres atleticanos (dizem que o clube, após garantir o terceiro lugar em seu grupo, embolsará R$ 1,4 milhão por entrar na segunda fase da Copa Sul-Americana), seja na permanência em uma competição internacional.
 
Como já estará em campo daqui duas semanas pela versão cucaracha da Liga Europa da Uefa, é como se tivéssemos perdido aquela promoção da TV a cabo que libera canais top por alguns dias, voltando à grade normal. Perdemos o último episódio de “Game of Thrones”, mas nada que impeça de baixá-lo depois na internet.
 
Sem ter minha atenção ofuscado pelos filmes do pacote premium, retomo à minha série favorita, “Two and Half Men”, que teve 12 temporadas. Enquanto abro uma garrafa de uísque (12 anos, claro), minha filha que acabou de sair dos 11 anos quer saber quantos cavaleiros tinha a távola redonda do rei Arthur.
 
Por mais que meu amigo Zezé tente conjecturar alguma teoria sobre os números 2 a 1 nos placares atleticanos, chegando a pegar a Bíblia para citar o Salmo 21, sobre a vitória em cima de reis que se vangloriavam do poder e da força que detêm, não deixo a minha vida ser afetada por estas crendices de torcedor.
 
Zezé, obcecado por significados nada científicos, me diz que o Salmo 21 fala do rei Davi e lembra que este era aconselhado pelo profeta Natã, que é o nome de um dos principais responsáveis pelo bom desempenho do time alvinegro nas últimas partidas. Um jogador criticado e mal aproveitado que estava prestes a deixar o clube sem deixar lembranças.
 
Em sua interpretação muito particular da Bíblia, a ressurreição de Nathan, o jogador, e a vitória sobre os poderosos (exaltada justamente no versículo 13, de Galo) sinalizam para um inesperado triunfo sobre Palmeiras, Santos, Flamengo e Grêmio, nossos próximos adversários. O número 21, sustenta, é transformador, representativo de sorte.
 
Não posso negar que a sorte voltou a bater à porta atleticana. Para quem viu o Galo ser derrotado na estreia do Brasileirão do ano passado com um gol nos últimos minutos, garantir a vitória nos derradeiros momentos, como aconteceu com Vasco e Ceará agora, é duplamente prazeroso, uma alegria misturada à decepção alheia.
 
E, se for 2 a 1, que assim seja. O Corinthians levantou a taça de um Brasileiro vencendo com placares magros, com um time que não era, vamos ser sinceros, nenhuma Brastemp. Olha aí outro o bordão de comercial das antigas. Para mim, vale a frase daquela propaganda da Kombi na década de 60: “Não é preciso apertar muito para levar um time de futebol”.
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