Fogueira acesa

Aqui é Galo! / 24/06/2019 - 08h25
patric

 

Hoje é dia de São João. E também da reapresentação do Atlético. Reapresentação é uma forma pomposa de dizer, para nós, torcedores fervorosos, que “não conseguimos pensar em outra coisa que não o jogo contra o maior rival pela Copa do Brasil”.

Tanto é assim que, na festa junina da escola da minha filha, logo mais, levarei um saco de moedas para jogá-las, uma por uma, na fogueira. Dizem que traz fortuna, desde que você espere tudo virar cinza para resgatar os níqueis chamuscados.

Essa é uma das muitas simpatias do dia de São João. Aliás, antes de virar dia santo e esquentar as noites juninas, era uma celebração pagã a Ivan Kupalo, em que os povos eslavos comemoravam a boa colheita com a chegada do solstício de verão.

A safra, se não é ótima, deixou brotar alguns frutos que já não tínhamos tanta esperança, como Chará e Patric. Kupalo, me explicam, é o deus da reencarnação. É também o da fertilidade, como podemos perceber na facilidade como o jovem Alerrandro produz os seus gols.

A história das fogueiras no centro das festas juninas vem dessa época. O povo saltava sobre elas, além de deixar no fogo as ervas coletadas na temporada passada. No caso do Galo, muitas ervas daninhas já foram eliminadas ou estão prestes a queimar.

Não se trata de caça às bruxas. Até porque, se bem me lembro das aulas de história, as feiticeiras tinham algum poder. Por aqui, convivemos com bons meses de completa inanição, com a Copa Libertadores virando uma grande comédia de erros.

Nas duas últimas semanas antes da parada para a Copa América, a sensação foi de purificação. Os inebriantes 2 a 1 sobre o Santos, que nos deram a classificação às quartas de final da Copa do Brasil, tiveram sabor de pé de moleque, a melhor das iguarias do arraial.

Quando está em sintonia, o trio Luan, Chará e Cazares nos devolve o prazer do futebol moleque, dos passes e dos gols que zombam das defesas milimetricamente montadas para nos tirar o júbilo, culminando com a visualização erótica da bola estufando as redes.

O culto a Kupalo era, segundo historiadores, uma festa carregada de elementos lascivos. É preciso dizer que lascívia, etimologicamente, tem mais a ver com divertimento, jovialidade e brincadeira. Assim como um correio-elegante ou simpatias para arrumar marido.

De minha parte, contribuo com as brincadeiras de São João guardando um dente de alho no bolso. Serve para espantar os maus olhados e dar proteção. Contra o Cruzeiro, precisaremos mais do que nunca da proteção de Réver, Igor Rabelo, Zé Welison, Adilson e Elias.

Mamãe recomenda que se plante um pé de pimenta no gramado do Independência. A pimenteira é ótima para espantar mau olhado. Quando pisarem no campo, os males desejados ficarão retidos e murcharão em seguida – estamos falando da planta, claro.

Para quem está em jejum de títulos por um longo tempo, talvez o melhor mesmo seja o abre-caminho. Porém, pelas tensões que se esperam de um clássico, o manjericão é mais indicado – promove a paz de espírito, garantem. O meu, até o dia 11, continuará atormentado.

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