Foi um baile em Assunción

Aqui é Galo! / 12/04/2019 - 10h53
leonardo

 

 

Lembro daquele vinil da Perla, que papai adorava botar na vitrola e a gente tentava sustentar o quanto podia, na voz, o “Galopeiraaaaaaaa” da estrofe, seguido por um “Nunca mais te esquecerei”. No baile que vimos quarta-feira em Assunção, foi o que podemos chamar de “Galo peia”, uma surra no Galo em dialeto nordestino raiz, para nenhum atleticano tirar mais da lembrança.
 
No ano 6 D.C. (depois da conquista da Libertadores), é a primeira surra de quatro que o Atlético toma na competição continental nesta era. Malogro que irá configurar, provavelmente, na pior passagem após o reinado kalilístico, com uma eliminação ainda na primeira fase. Nem o empate em 0 a 0 contra os bolivianos do Jorge Wilstermann, em 2017, no Mineirão, parece ter sido mais nefasto à auto-estima atleticana.
 
Contra o Cerro Porteño, o alvinegro foi tragado pelo buraco negro, com o seu futebol indo parar na galáxia M87. Como ficou provado agora, com a divulgação da primeira imagem deste fenômeno, ele pode engolir toda a luz. Bastaram 13 minutos para o Galo sofrer um apagão em campo. Einstein, que nos alertou em 1905 sobre a existência dos buracos negros, diria hoje que estamos sob a lei da gravidade.
 
Nada mais grave do que chegar à final do Campeonato Mineiro vendo o adversário de domingo passeando na Libertadores. A pior coisa que fiz foi sair de casa e acompanhar o jogo pelo rádio, que transmitia, simultaneamente, a partida do Cruzeiro contra o Huracán. Com vitória de 4 a 0 dos celestes, garantindo a classificação à próxima fase, a sensação foi de termos tomado oito gols.
 
Com Fred voltando a jogar o fino da bola, os efeitos colaterais desta ressaca surgem ainda mais agudos. Por obra de uma maldição lançada pelo meu cunhado, o ex-atacante atleticano ficou um ano no Departamento Médico após nos deixar. Após o fim do feitiço, Fred só aumentou a fome de gols. O pior dos cenários deste enredo é o artilheiro ganhar uma música no “Fantástico” na noite de domingo.
 
Como forma de vingança, não seria de estranhar se Fred pedisse “Galopeira”. 
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