La vie en rose

Aqui é Galo! / 14/11/2015 - 09h42

Coincidência ou não, comecei 2016 poucas horas depois de o Atlético ser derrotado pelo Corinthians, exatamente no dia de Finados. Não foi o caso de rezar por aquelas almas no purgatório. Até porque o Galo teve um ano, se não inesquecível como foram 2013, 2014 e 2015, pelo menos sem grandes sofrimentos para os torcedores.

O meu Finado vem da raiz da palavra, de algo que chegou ao fim. O mesmo que finar, findar, acabar, terminar. Meu pensamento, confesso, está dois meses à frente. E, ao que parece, a dos jogadores também, que dão a impressão de se esforçar ao máximo para ainda manterem um interesse no Brasileiro. Um gol, como o do Dátolo diante do Figueirense, é um alívio coletivo.

Levantei bem cedo e falei para o gato que iria caminhar. Nada anormal conversar com o Felix, mas pôr um par de tênis apenas para sair andando por aí, sim. Prometi que não iria me perder nos pensamentos, como acontece no ônibus. Iria olhar para as pessoas que sempre passam por mim e das quais nunca guardo a fisionomia.

Olhar a vizinha de prédio, não para notar (apenas) se continua com o bumbum empinado. Saber a cor dos olhos, a maneira como mexe a boca ou se joga os cabelos para o lado – e para qual lado. Dizer finalmente um “bom dia!” para aquele senhor octagenário, sentado na beirada do canteiro de flores, que temo, por alguns segundos, não retornar a vê-lo no dia seguinte.

Criei imaginariamente várias rotas alternativas e falei em voz alta que não iria percorrer o mesmo trajeto na hora de ir para o trabalho e voltar para casa. Talvez, com isso, surpreendesse as pessoas, inesperadamente pegando frases soltas em que poderia ser eu o assunto. Descobriria, quem sabe, algum aspecto terrível da minha personalidade que não tinha me dado conta.

Poderia ser a forma como viro de uma vez a esquina de casa, fazendo um ângulo reto para não correr o risco de escorregar na rampa do passeio – o que só ocorreria em dias de chuva, mas, automaticamente, faço em dias de sol também. Será que alguém reparou nisso? Mas o morador do apartamento em frente observou que passei o dia de Finados com o rádio ligado.

Ele não tinha percebido que o locutor Robin LaRose falava em inglês. Era uma rádio canadense de Vancouver. Cenário de inúmeros filmes e séries dos EUA, Vancouver é considerada uma das melhores cidades do mundo para se viver. Foi assim, pesquisando a esmo na internet, que cheguei a LaRose.

Na verdade, dez dias depois, das mudanças só consegui manter ouvindo o LaRose. Talvez ainda esteja à espera de uma novidade vinda do Galo. Ao contrário de anos anteriores, passamos 2015 sem muitas caras novas. Sempre tinha alguém chegando no meio do ano, trazendo uma expectativa diferente para o resto do campeonato.

Em 2013, vieram Dátolo e Fernandinho. No ano passado, Douglas Santos e Rafael Carioca. Nessa temporada só tivemos um Mansur que praticamente não jogou. Será que enjoei do Atlético também, pelo menos o de 2015? Ou eles mesmos, jogadores, nos deram, nos últimos meses, um futebol menos vistoso e envolvente?

Como em “Tom Sawyer”, a canção do lendário Rush que LaRose acaba de botar para tocar, tenho a esperança de que, em 2016, possamos ver esses “guerreiros dos dias modernos” em ação novamente, dando mais um grande passo na história do clube.

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