Mudando o futuro

Aqui é Galo! / 02/05/2017 - 11h32
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Estou revendo “De Volta para o Futuro 2” pela 29ª vez, agora num momento especial, apresentando um dos filmes preferidos da adolescência à minha filha Julia. Ela ri da cena em que Marty McFly reage ao ser chamado de “chicken” por um brutamonte, bem mais alto e forte do que o protagonista, que viaja ao futuro numa máquina do tempo.
 
Geralmente Marty cede à provocação, nem sempre com resultados satisfatórios – uma referência ao filme “Juventude Transviada”, com James Dean. Para quem é a fã da série de aventura, humor e ficção-científica, um dos clímax da terceira (e até agora, última) parte é a mudança de postura dele, desviando-se do embate simples para viver o grande the end.
 
No caso do Galo, a mudança acontece em direção oposta. De uns tempos para cá, a impressão é que o time sempre irá resolver todos os seus problemas com o talento individual de seus homens de frente, a partir de uma bola providencial de Robinho, Otero, Maicosuel, Rafael Moura e Fred. E os torcedores aprenderam a esperar por esse momento salvador.
 
Mesmo nos anos dourados com Ronaldinho Gaúcho, Diego Tardelli, Jô e Luan, essa fórmula da “virada” era parcialmente equivocada, já que Cuca e Levir Culpi trancavam a área atleticana com cadeado, jogando a chave fora. Não havia nada de errado em dar uma entrada mais dura, uma peitada no adversário, mas todo mundo só tinha olhos para o ataque mágico.
 
O resultado foi que, com o passar do tempo, o Atlético multiplicou os seus atacantes, investindo menos na defesa. Com um time tão agudo, parecia contrassenso jogar com inteligência, nos contra-ataques, esperando o momento certo de buscar o gol. Alguns dos capítulos mais tristes foram as bolas que Marcos Rocha e Dátolo entregaram ao adversário ainda em seu campo.
 
E foi sim uma vitória ver Roger Machado mudando (finalmente) a postura do Atlético, ainda que tenha causado sofrimentos à torcida – que espera ver o time sempre à frente – a cada investida no Cruzeiro. Com um ataque leve e rápido no outro lado, um meio-campo igualmente leve seria um convite a mais uma derrota na temporada de 2017.
 
Ouvindo o Mano na entrevista pós-jogo, em que faz um desafio a la Biff Tannen, indagando se o Galo manteria a mesma postura no segundo e decisivo confronto, vejo que a estratégia deu certo, valendo-se da marcação mais pesada para anular a força do oponente, como um Rocky Balboa que apanha nos primeiros rounds até cansar o grandalhão Drago e dar o golpe final.
 
Biff e Drago têm algo em comum, além de bíceps avantajados: achavam que só na “porrada” conseguiriam resolver. E, como no caso de Marty, não é nenhuma covardia não partir diretamente para o confronto. Taí talvez a solução para os problemas de Roger, que invariavelmente reclamava de a equipe fazer dois tempos muito distintos.
 
Questões temporais que “De Volta para o Futuro” soube resolver muito bem, com Marty e seu amigo cientista Doc adaptando-se à realidade de cada época para pôr a máquina do tempo em funcionamento novamente, contando a ajuda de um raio ou trocando o velho DeLorean por uma locomotiva. Jogando com astúcia, a chance de reencontrar o Galo de 2013 será maior.
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