Os meninos do Galo

Aqui é Galo! / 06/06/2019 - 11h03
cazares

 

São dois meninos maluquinhos na verdade. Um que põe o que está no estômago para fora, no próprio gramado, e se impacienta com o time quando as coisas não vão bem. Num jogo decisivo, com a perna já em dores, diz para si mesmo: “Que estoure tudo, não vou sair de jeito nenhum”. 
 
O outro Menino Maluquinho convive com problemas extracampo desde que chegou ao Atlético, oscilando muito entre um jogo genial e outro completamente em branco. Tem com a torcida uma relação de amor e ódio. E é capaz de mandar o colega tomar naquele lugar, ao vivo, para um repórter de rádio.
 
Apesar deste bate-boca, que chamou mais a atenção do que a goleada de 4 a 0 sobre o CSA, Luan e Cazares são elementos necessários a um time que quer ser campeão. São a energia oposta a Victor e Ricardo Oliveira, jogadores dedicados que simbolizam uma pureza de caráter que, no futebol, não sustenta uma equipe vencedora.
 
Para passar pelo Santos hoje e seguir na Copa do Brasil, o Galo precisará deste fator de imprevisibilidade, de risco, de apostar em alguém que possa chamar a responsabilidade do jogo e virar a chave do time num determinado momento. Luan e Cazares já provaram diversas vezes que têm essa capacidade.
 
Se lembrarmos do grupo de 2013, o Galo era a pura representação do yin e yang, conceito do taoísmo que aponta para a necessidade de convivência entre forças diversas. Assim tivemos Ronaldinho Gaúcho, dono da malícia, da alegria com as pernas e da bruxaria, capaz de enganar o goleiro adversário com um pedido de água para poder se posicionar próximo ao gol.
 
Tivemos o tanque Jô, o peralta Bernard e os buldogues Leandro Donizete e Pierre. Além, é claro, de alguém supersticioso e sanguíneo fora das quatro linhas, no comando da equipe, o Cuca. É disso que precisamos, da emoção aflorada, da raça acima de tudo e todos e da crença que qualquer adversidade pode ser superada.
 
Não é à toa que o yin e o yang carregam as cores preta e branca. O formato circular como se interpelam é sinônimo de movimento contínuo. É dessa fôrma que saíram o ataque mortífero e as viradas espetaculares de 2013 e 2014. Na campanha da conquista da Copa do Brasil, Luan deu tudo o que podia e saiu coroado.
 
Pagou, talvez, certo preço por tamanha entrega, passando os anos seguintes no Departamento Médico. Agora está mais inteiro e maluquinho do que nunca. E por ele, pelo o que ainda representa, o Atlético merece chegar à decisão da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana e brigar até o final pelo título do Campeonato Brasileiro.
 
Coincidentemente, nas duas competições de mata-mata, teremos oponentes que são uma verdadeira pedra no sapato atleticano. Passando por Santos e por Botafogo, a sensação, para o torcedor, será de que é possível chegar bem mais longe. Assim como aconteceu diante do Corinthians, na Copa do Brasil de 2014.
 
Se olharmos para a tabela da Sul-Americana, um triunfo sobre o Botafogo – o primeiro confronto acontecerá no dia 24 de julho, data em que o Galão levantou a taça de campeão da Liberta – aponta para um caminho menos espinhoso em relação a quem está do outro lado da chave, que tem clubes tradicionais como Peñarol, Independiente e Corinthians. 
 
Do nosso lado, times que, por um erro de grafia, poderiam ser um estacionamento (Royal Pari, se trocarmos o i pelo k), um órgão do corpo humano (Colón, com uma acentuação no “o” errado) e um nome de mulher (Zulia, que deveria ser Julia, como o nome de minha filha). Quem sabe não chegaremos à final encarando um suco de caixinha (Del Valle)? Seria uma “uva”.
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