Pelas barbas de Netuno!

Aqui é Galo! / 08/03/2019 - 10h42
patric

 

 

Quando o time perde desta forma, o que mais você quer é distância daquele lugar. Esse é o problema do Mineirão: a beleza do estádio acaba sendo uma teia difícil de desvencilhar. Quarenta minutos após a derrota para o Cerro Porteño, na estreia do Atlético na Copa Libertadores, ainda estava na região, caminhando pela avenida Otacílio Negrão de Lima entre centenas de carros que mal se movimentavam.

A minha situação era a mesma do Galo: nenhuma lateralzinha para abrir o caminho e fugir daquele furdunço. Vendo o alvinegro jogar com as duas laterais inoperantes, eu me lembrei do Leão da Montanha, aquele personagem do desenho da Hanna-Barbara, medroso até dizer chega e que, acuado, vivia dizendo “saída pela direita!” ou “saída pela esquerda!”, correndo em disparada para um dos lados.

Como já disse Levir Culpi, ter medo na Libertadores é positivo, mas desde que, é bom lembrar, haja rotas de acesso desobstruídas para se chegar ao gol. Patric, de um lado, e Fábio Santos, do outro, pareciam o trânsito de Belo Horizonte em dias de Carnaval: tudo fechado. As voltas que dei na terça-feira para buscar a minha filha na Savassi, burlando cones e mãos de direção, foram melhores que o percurso da dupla em campo.

Fábio Santos era a própria Savassi em folia, confuso e sem condições de passar no teste do bafômetro. No lugar de cantar “Ó abre alas/Que eu quero passar”, o jogador estava mais para “A pipa do vovô não sobe mais/Apesar de fazer muita força”. Mas como sacá-lo se, no banco, o substituto natural é um Hulk ainda verde (de iniciante)? Se o problema do Galo fosse só a esquerda, tudo bem. Mas a direita só fez rodar a baiana.

Como castigo, o gol do Cerro saiu de um cruzamento, do lado de Patric, num raro momento de perigo real do visitante. É o que podemos chamar de bala de prata, guardando o único tiro para o momento decisivo. No carnavalesco Atlético, porém, o que se viu foi traque para todo lado. Os atacantes devem ter sentido falta do Independência, perdendo as referências, já que só chutavam para fora.

Curioso que sou, quis entender a razão de o Leão da Montanha se chamar, em espanhol, León Melquíades. Não descobri. Melquíades famosos foram um papa, um político reformista e um general ateniense. Nenhum deles, aparentemente, covarde. Só sei que o verdadeiro leão da montanha é o puma, comum nas Américas. E é um dos mais letais entre os felinos. Apesar da alta periculosidade, não ruge. Só ronrona, como o meu gato Félix.

Desta forma, esperamos que o bom início de temporada do Galo não vire um Félix, meu querido gorducho que tem medo de aspirador de pó e de barata. Esse sim, ótimo para achar rotas de fuga onde mesmo se espera. Um autêntico leão da montanha do desenho animado. Para Levir Culpi, a “saída” não é para direita nem para a esquerda, mas sim para o meio, com a volta de Elias à posição de origem.

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