Proibido para Menores

Aqui é Galo! / 15/03/2019 - 11h27
galo

 

 

Confesso que estou meio receoso em levar a Julia para ver o clássico contra o América. Como ela só conhece o Independência, seria uma boa maneira de apresentá-la ao Mineirão – os jogos da Libertadores no meio de semana, à noite, não são aconselháveis para quem tem colégio cedo. Mas depois da derrota para o Nacional, o estádio pode virar um lugar de “degeneração moral”, para usar um termo da moda.
 
Ok, sou daquela geração que jogo de futebol era uma válvula de escape para o massacre do dia a dia. Xingávamos todo mundo, do melhor jogador do time adversário ao árbitro. Mas o perfil das arquibancadas mudou, ganhando um perfil mais familiar, com beijinhos dados para a câmera e homenagens especiais ao dia das mulheres e das vovós. Como sou antiquado, não dá para xingar com a filha ao lado.
 
Meu medo para o clássico é o repertório de impropérios. No twitter, a reação dos atleticanos após a partida contra os uruguaios pode ser classificada como proibida para menores. Imagine então no estádio, depois de 30 minutos de bola rolando com Galo repetindo o mesmo esquema dos últimos três jogos pela Libertadores? É provável que as vaias já venham naquele anúncio da escalação no som do Mineirão.
 
Aqui vale um parêntesis: não tem coisa melhor para saber a opinião da torcida sobre determinado jogador do que o sistema de som. Impressionante foi ver a escalada de Cazares, de uns “êêê!!!” bem tímidos para a maior ovação do time alvinegro nesta temporada. Outros, quase unanimidades, vivem o seu momento de êêêzinho, como Fábio Santos e Ricardo Oliveira.
 
E quem diria que Chará, tão contestado, seria o nome mais pedido pelos torcedores? Qualquer movimentação do colombiano no banco de reservas já serve de alento para a Massa que desaprovou o esquema com três volantes. Para quem é adepto dos números, e Levir é um deles, a nova formação, com Elias no lado de campo, contabiliza um empate, dentro de casa, e duas derrotas, uma no Mineirão e outra fora. Isto é, zero vitória.
 
Esse é o meu medo: se Elias, Adilson e Zé Welison entrarem em campo como titulares, no domingo, terei que botar um desses protetores de ouvido na Julia, embora, boba ela não é, poderá fazer a leitura labial dos torcedores próximos. Inclusive do meu filho Breno, um xingador experiente, desses que exprimem seu descontentamento balançando a mão aberta várias vezes seguidas.
 
Claro que o VTC é o palavrão predominante em qualquer situação em terras brasileiras. Há outros que são machistas e capacitistas (copiando do dicionário: preconceito social contra pessoas com alguma deficiência). Por isso, talvez seja melhor soltar vitupérios em línguas diversas. Adoraria experimentar um “perkele!”, que, em finlandês, se refere a uma divindade pagã aparentada do diabo.
 
E o que dizer do romeno “Futu-ti dumenzeii mã-tii”, algo como xingar os parentes mortos da mãe?! Até você terminar a frase, o motivo de tanta raiva já terá passado. Na Coreia do Sul, é um insulto de primeira grandeza falar “Sua mãe nadou até encontrar os navios de guerra japoneses!”. E, no Japão, chamar o outro de “você” é bastante depreciativo. Neste sentido, dá para usar uns pronomes pessoais de tratamento sem deixar de ser o melhor papai do mundo.
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