Que venham os filmes!

Aqui é Galo! / 01/11/2019 - 14h45
galo

 

Quando o seu time vai mal das pernas, em queda livre rumo à série B do Campeonato Brasileiro, você tem duas saídas: uma delas é continuar sofrendo com o momento atual, fazendo coro aos xingamentos vindos das arquibancadas e escolhendo um jogador para Cristo a cada rodada. Com 46 anos, uma saúde, uma família e um emprego a serem preservados, opto pelo segundo caminho, refugiando-me no passado, naquele instante que agora parece mágico em que o Atlético era imbatível, acima de tudo e de todos.

O livro “Aqui é Galo! Treze Histórias que Valeriam um Filme”, que sairá do forno na próxima semana, traz esta sensação de viagem segura pelo túnel do tempo. Demorei quase três anos para lançá-lo, à espera do momento ideal que nunca veio. Não queria disponibilizá-lo com este desejo de oferecer um alívio literário para a Massa, mas este papel tem também a sua importância, ao nos lembrar a série de fatores que levaram à formação de uma equipe vitoriosa como foi aquela de 2012 a 2014, campeã da Copa Libertadores e da Copa do Brasil.

É uma publicação inédita por sua proposta: todos os 13 (número simbólico) textos são assinados por cineastas e críticos de cinema que têm em comum a paixão pelo Atlético. A ideia surgiu nos muitos festivais que frequentei Brasil afora, encontrando um e outro diretor com quem compartilhava afinidades clubísticas. Já ouvi jogo do Galo pelo notebook, no saguão de um hotel em Brasília. Já deixei de ir à sessão de um filme para ficar no quarto, trocando algo incerto por uma atração de satisfação garantida.

Nos festivais embrenhados de narrativas fantasiosas, passei a me perguntar a razão de o Galo não estar ainda presente neste universo ficcional como uma segunda pele dos personagens. Ainda mais com tantos cineastas de prestígio que idolatram o alvinegro mineiro. Por isso eu os convidei para escreverem um conto que não pudesse ser em primeira pessoa e que fosse totalmente ficcional (regras não totalmente respeitadas, já que cada um tem uma história curiosa que vivenciou), talvez como um estímulo para que tomassem coragem e levassem para as telas depois.

São nomes que batem um bolão no campo do cinema, como Helvécio Ratton, Kiko Goifman, Rafael Conde, Armando Mendz, Patrícia Moran, Marcos Pimentel, Guigo Pádua, Lobo Mauro, Mariana Tavares (em parceria com o jornalista César Macedo), Roberta Canuto e Erick Ricco, além dos críticos Lucas Salgado e eu. Cada um com seus estilos muito diferentes na maneira de filmar, perceptíveis também no momento de colocarem suas histórias em formato de conto, que ganham mais cores no traço do ilustrador Dum, um amigo e colega de redação de Hoje em Dia.

No livro, o Atlético se transforma num personagem muito rico, alimentando histórias de gêneros dos mais diversos, do suspense policial à ficção-científica, passando pela comédia e costumes. São tramas em que o clube do coração serve como impulso para se fazer algo, engraçado ou triste, como parte deste movimento constante que é a vida. Muitas delas são localizadas em dois anos especificamente (2013 e 2014), provando assim que o ar parou e a Terra quase saiu de seu eixo em função deste prazer de ver seu time chegando a um final feliz. Só a literatura e o cinema para darem a real dimensão do que é esse amor. Quem venham logo os filmes.

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