Santidade prorrogada

Aqui é Galo! / 31/05/2019 - 06h00
victor

 

O Atlético já tem novamente as suas atenções voltadas para o Campeonato Brasileiro, com o CSA como adversário deste domingo, mas eu ainda me sinto como um relógio quebrado, marcando a mesma hora de quando saí do Independência, na terça-feira, no instante em que os ponteiros marcavam mais de meia-noite.
 
Olhava para os torcedores pulando de alegria, cantando como se tivessem vencido uma grande batalha diante do La Calera. Os 90 minutos de um jogo em que o Galo teimou em errar muitos passes e perder preciosas oportunidades de ataque pareciam não terem existido depois da cobrança de penalidades.
 
Em tempos comuns, não precisávamos sofrer tanto e exigir que São Victor mostrasse mais uma vez seus super-poderes, defendendo todas as cobranças como se tivesse o dom da adivinhação, caindo exatamente no canto escolhido pelos jogadores chilenos, dando a impressão de que corpo e bola estivessem imantados.
 
A razão de tanta alegria talvez tenha sido esta, ao ver novamente Victor salvando-nos como salvou contra o Tijuana, há seis anos (com uma diferença de dois dias para coincidir com aquele 30 de maio de 2013). Constatar que o nosso número 1 está no melhor de sua forma cria uma nova expectativa miraculosa.
 
Agora, guardada as devidas proporções. Já não é o Galo da Libertadores. Mas sim o da Sul-Americana. E é o que devemos almejar neste momento, indiferentemente do histórico recente na principal competição continental. Vamos precisar de São Victor e de vencer todos os fantasmas que surgirem à frente.
 
Assistir os jogadores abraçados no meio de campo e a Alerrandro esparramado no gramado, emocionado após ser o autor do gol que levou às penalidades, dá uma dimensão épica que o mais orgulhoso atleticano precisa admitir: a Sul-Americana não pode ser diferente da Libertadores em matéria de luta e entrega.
 
Vencemos “los cimenteros” – uma piada pronta para o caso de derrota, jogando uma pá de cal nas pretensões atleticanas (La Calera ganhou esse nome devido às suas minas de carbonato de cálcio, matéria-prima do cimento). Derrubamos o muro de cimento e, agora, vem outro ainda mais pedregoso: o Botafogo.
 
O Botafogo sempre foi uma pedra no sapato do Galo em mata-matas. E temos que enxergar, a despeito das vacas magras vividas pelo time carioca, como um adversário pra lá de difícil, obrigando-nos a fazer o impossível. Como se fosse aquele bloco de pedra encontrado por arqueólogos alemães em Baalbek, no Líbano.
 
Após fazerem uma série de escavações, eles acharam o maior e mais antigo bloco de pedra trabalhado, datado de 27 antes de Cristo e com o tamanho de 20 metros de comprimento por 6 metros de largura. Seu peso de 1,6 toneladas se equipara, temos que pensar assim, à força do Fogão em eliminatórias contra o Atlético.
 
E será preciso recorrer à força de Hércules para remover esta pedra do caminho. Não por acaso são 12 os feitos do herói grego – um time inteiro mais Cazares ou Chará, dependendo de quem for para o banco de reservas no dia. A opção entre um e outro diz muito do time, entre a criação e o “vamos pra cima para ver no que dá”.
 
E se nada disso funcionar, é importante saber que temos nosso próprio muro para parar os rivais. Assim que o árbitro encerrou o tempo normal, diante do La Calera, São Victor caminhou tranquilamente para o outro lado do campo e cumpriu aquilo que todo herói faz: limpar a barra dos meros mortais.
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