Santo, Santo, Santo

Aqui é Galo! / 03/05/2019 - 07h00
galo

 

Quando topei com Diogo Giacomini, técnico que comandou o Atlético interinamente por três vezes, em 2015, 2016 e 2017, num supermercado no bairro Cidade Nova, pouco antes do jogo contra o Vasco, encarei o encontro como um presságio, antecipando-me a vitória que quebraria um tabu de 17 anos sem vencer em São Januário.
 
Coisa de interino para interino. De santo para santo. Diogo nasceu em Santa Maria. E Rodrigo Santana, em Santos. Com tanta santidade reunida – menos eu, que havia saído de casa furtivamente, para comprar quatro garrafas da breja – só podia esperar por um milagre.
 
E ao ler que o ex-Atlético (e ex-interino) Thiago Larghi estava na mira do América, senti que tamanha coincidência não era algo acidental, apesar de, originalmente, todo interino ser fruto de um acidente de percurso. Imprevisível, transitório, ocasional, repentino, eventual – não faltam palavras para definir a função.
 
Nos últimos três anos, porém, de temporário o técnico interino no Atlético virou uma coisa tão esperada quanto as chuvas transformarem aqueles carros estacionados na rua Francisco Sá, no Prado, perto do jornal, em indefesos barquinhos de papel. Tão previsível quanto a minha promessa de arrumar o escritório a cada início de ano.
 
Agora entendo o porquê de meu filho rir quando afirmo que vou cortar o pãozinho pela manhã e o açaí nos finais de semana. Talvez por isso, fazendo o melhor estilo São Tomé, sempre busco saber quem está na base do Galo, quem são os auxiliares que estão chegando.
 
Se ser interino for o objetivo de alguns jovens treinadores, o Atlético é o lugar certo. Imagino empresários já vislumbrando preciosas chances, convencendo clientes a aceitarem propostas do Galo. A oportunidade de subir, dirão, logo virá.
 
Neste momento, deve ter mais gente querendo se tornar da base do que propriamente técnico do clube. Anunciar que um treinador foi contratado é apenas jogo de cena. Não vai durar mais do que seis meses, pode apostar. Agora o interino, este sim, dura muito.
 
Normalmente, um interino perduraria um, dois jogos. Por aqui, a questão temporal é relativizada assim como afirmar que a Terra é redonda. Se eu fosse um técnico de renome e optasse pelo Atlético, pediria em contrato para me apresentarem como interino. 
 
Ninguém cobra muito do interino. Perdeu, porque era interino. Empatou, interino. Venceu, um interino de sorte, mas ainda assim interino. Pode falar que a decisão é da diretoria, que ninguém irá questionar. E jogadores geralmente não poupam elogios, como agora. 
 
Ao ver o Galo sem um armador nato, após Luan sair de campo e ser substituído por Bolt, no intervalo do jogo de quarta, esbravejei. Ainda mais com Chará fazendo uma função que jamais foi a dele. Mão à palmatória, foi do colombiano o gol da vitória.
 
Não sei se os interinos têm um santo próprio, mas Rodrigo Santana está bem protegido, logo se vê. Ainda mais agora, com o Santos como primeiro adversário na Copa do Brasil. É santo que não acaba mais: no gol (Victor), na lateral (Fábio), no ataque (Geuvânio)e no banco, além de todo um Santos do outro lado do campo.
 
Não digo que torci por este confronto (preferia o Sampaio Correia, claro), mas quem é católico sabe: a parte da missa em que dizemos, em uníssono, “santo, santo, santo” é antecedida pela proclamação da ressurreição.
 
Eis o mistério da fé atleticana!
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