Trocando as mãos pelos pés

Aqui é Galo! / 06/09/2019 - 07h00
michel

Goleiro Michael, também no "estaleiro", assim como Uílson e Victor

 

Quando definiram quais goleiros iriam para os times de futsal e de handebol, na época do colégio, eu acabei ficando com o segundo por ter o mérito de defender, com os pés, as bolas baixas arremessadas pelos atacantes adversários, saltando na linha do gol igual a uma aranha armadeira. O Adão ganhou a camisa número 1 no futsal, que eu tanto queria, por ser habilidoso em outro tipo de pulo – o de gato.

 
Lembro agora dessa passagem como “goleiro de pés” ao ver a preocupação do meu amigo Taco, num esforço detetivesco na internet para encontrar imagens das saídas de bola de Wilson, contratado às pressas pelo Atlético. “Ele defende com os pés também?”, perguntei, só por provocação. A falha de Cleiton, no final da partida contra o Corinthians, criou uma espécie de histeria, entre os torcedores, sobre reposições com os pés.
 
Assim, Wilson chega com o pé direito no Galo, muito mais os pés do que as mãos, é bom que se diga. Não faz muito tempo, um goleiro se media pelo o que fazia com as mãos. Ou alguém se lembra da habilidade com os membros inferiores de Kafunga, João Leite ou Taffarel? E o mais engraçado é que Wilson é nome de uma marca de bola mais relacionada ao voleibol, depois que Tom Hanks a transformou em amigo no filme “Náufrago”.
 
Está certo que Victor entrou para a história do clube alvinegro com uma defesa realizada com a perna esquerda, após Riascos cobrar pênalti para o Tijuana, aos 47 minutos do segundo tempo, responsável não só pela continuidade do Galo na Libertadores 2013 como também para a sua conquista. Mas ali a perna era quase uma extensão das mãos, um corpo inteiro imbuído de bloquear o chute do colombiano. 
 
Fetiche por pés tem nome: podolatria. Quem viu “Era uma Vez em Hollywood”, em cartaz nos cinemas, notou o a atenção que o cineasta Quentin Tarantino dá para esta parte do corpo. Não é o único. Cientistas da Universidade de Bolonha afirmam que os pés estão no topo das preferências sexuais, podendo ser apenas a sola, o dedão ou o calcanhar. E, em alguns casos, não importa muito se o mesmo não está lá muito limpo.
 
Acompanhando o Taco apertando diversas vezes o “rewind” para ver o lançamento equivocado de Cleiton, imagino-o como aquele príncipe desesperado de “Cinderela”, experimentando o sapatinho de cristal em todas as donzelas do reino. Escolado pela experiência de Lauro, há três anos, contratado em circunstâncias semelhantes, prefiro, como bom mineiro, ficar com um pé bem atrás, pelo menos em relação à mão, ainda a melhor ferramenta de um goleiro.
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