Um dedo a menos, um título a mais

Aqui é Galo! / 10/10/2015 - 08h13

Enquanto meu filho tenta botar um dedo do meio (um emoji, explica ele) no Whatsapp do seu celular, Leonardo Silva, ao que parece, não sabe até hoje onde botar o dele. Não só o do meio, como aconteceu durante a Copa Libertadores, desfalcando o time nas oitavas-de-final, como o anular também.

É a terceira fratura só na mão, em cinco temporadas no Atlético. Bom de cabeça, de onde saiu a maior parte de seus gols, o zagueiro não tem o mesmo carinho pelos quirodáctilos (termo técnico usado para se referir aos dedos da mão), mal se lembrando deles na hora de disputar uma jogada.

Sempre sobra para o dedo, pobre coitado. Mas nesses tempos em que os atleticanos se agarram em qualquer coisa para entoar o mantra “Eu acredito!” novamente, um dedo a menos pode até ser um bom sinal. Principalmente se for o anular, também conhecido como anelar e “seu-vizinho”.

Em 2013, Léo fraturou o dedo médio antes do jogo de volta contra o São Paulo, pela Libertadores, depois de dar um carrinho num atacante da Tombense, nas semifinais do Campeonato Mineiro. Com Gilberto Silva em seu lugar, o Galo marcou quatro diante dos são-paulinos e, mais tarde, levantou a inédita taça.

Alguém pode se lembrar que o mesmo ocorreu na primeira fase da competição desse ano, depois de o camisa 3 se chocar com um mexicano, na derrota de 1 a 0 para o Atlas, no Independência, quebrando mais uma vez o dedo médio e permanecendo um mês fora de ação.

Os supersticiosos irão recordar, claro, que em 2013 o dedo quebrado foi o da mão direita, assim como agora. E que Léo continuou em campo mesmo machucado. Contra o Coritiba, há uma semana, ele voltou do intervalo com uma proteção e não saiu. Contra o Atlas, foi imediatamente substituído por Edcarlos.

A propósito, no dicionário, anelar, como verbo intransitivo, quer dizer respirar com dificuldade, ofegar. Num momento em que o Galo precisa suar a camisa para conquistar o máximo de pontos e ultrapassar o Corinthians na briga pelo título do Brasileiro, anelar é o mínimo que se espera nessas nove batalhas que restam.

Como verbo transitivo, anelar também pode ser desejar algo ardentemente. Para quem espera há quatro décadas anos repetir a façanha de 1971, a palavra desejar soa meio romântica e ingênua. Na verdade, é uma questão de honra.

E, diferentemente de 2013 e 2014, não há nenhum Mundial ou Copa do Brasil para justificar algum pé no freio e deixar o Brasileiro de lado. Por falar em membros inferiores, os torcedores não veriam com maus olhos uma contusão de Léo Silva na coxa direita (sempre a direita, reparem), por exemplo.

Na conquista do ano passado, Léo também deixou o time devido às dores na coxa direita, após a derrota de 2 a 0 para o Corinthians. Ficou de fora da partida de volta, quando Edcarlos, seu substituto, marcou o gol decisivo da vitória épica de 4 a 1, que levou o Galo às semifinais.

Nunca é demais lembrar que foi o mesmo placar pós-contusão de 2013. Nessa ótica, quatro gols contra o Inter não seriam nada mau. E com um gol de lambuja para o adversário.

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