Viagem aos seios de Julieta

Aqui é Galo! / 24/10/2015 - 08h47

O sonho de qualquer um é pegar no seio direito de Julieta. Não sei o que há de errado com o esquerdo, mas a estátua da sofrida namorada de Romeu, na cidade italiana de Verona, é apalpada centenas de vezes ao dia, em sua própria casa (Casa di Giuletta, para ser mais exato), onde os turistas de várias partes do mundo também deixam declarações de amor nas paredes.

Tudo isso para se ter sorte no amor, como os cadeados presos nas laterais da Pont des Artes, em Paris, que recentemente foram retirados devido ao peso exercido em sua estrutura. Até o amor, quando é muito, se torna um problema.

Lembrei-me do Carlos, que, com aquela volúpia toda exibida diante do Sport, acabou saindo mais cedo de campo, responsável direto pela indigesta goleada.
Volúpia, corrigirão alguns, está relacionada ao prazer sexual, mas sua origem latina (voluptas) comprova que o ato de se deliciar excessivamente pode ter outros significados. Como o amor ao clube (algo raro hoje em dia) ou a obstinação de se entregar para um objetivo maior. Por isso, não o culpo completamente, apesar de, no calor do momento, a fartura de adjetivos tenha levado a minha filha Julia a tampar os ouvidos.

Se tivéssemos uma estátua para dar sorte no futebol, bem que poderia ser a da Volúpia, deusa da virtude, fruto da união entre Eros (deus do amor) e Psiquê, que é a personificação da alma. Ela só nasceu após Psiquê ter cumprido quatro difíceis tarefas impostas por Vênus, sua sogra (sempre elas). Portanto, se assim podemos resumir, primeiro veio a dor antes da criação e do prazer.

E espero que seja assim dentro das quatro linhas também: quem sabe, depois de ter deixado muitos atleticanos desanimados com a possibilidade de um título brasileiro, não seja o próprio Carlos a reafirmá-la, tornando-se o herói da partida contra o Corinthians. A mitologia grega está recheada de casos desse tipo, com histórias de purgação e redenção, como tem sido a trajetória do Atlético nos últimos anos.

Quem sabe, essa relação de dor e sacrifício não tenha contaminado os jogadores, especialmente Carlos. Originário do alemão Karl, o nome significa, entre outras coisas, “homem do povo”. E os heróis sempre saem de lá, dessa classe mais sofrida. Não seria a Democracia Corintiana, famosa e vitoriosa nos anos 80, mas, de qualquer maneira, a força do povo (tradução de democracia, em grego) se faria presente.

Não sei quem Carlos está apalpando agora, mas espero que seja a taça do Campeonato Brasileiro, que não tem seio, creio eu, mas já está mais do que na hora de voltar ao seu primeiro dono. Imaginar um par de peitos femininos, por sinal, pode ser muito proveitoso. Além de trazer alguma sorte, um estudo sério garantiu que olhar para eles por alguns minutos ao dia melhora a saúde dos homens. E se for no trato com a bola, melhor.
 

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