Vira Virou

Aqui é Galo! / 06/10/2019 - 09h07
galo

 

 

Ao ver o Atlético tomar mais uma virada, eu me lembrei daquela música do cantor Roberto Leal, português radicado no Brasil que faleceu recentemente, em que você roda, roda, vira e, quando percebe, a festa já acabou. É a síntese do Galo neste semestre: luta, luta e sai de campo com a derrota.

“Arrebitar”, como diz a canção, no sentido de levantar e animar-se, parece uma ação muito distante para quem começou o ano tomando um baile em Assunción, durante a Libertadores, e agora desafina num “vira”, gênero do folclore português, em que os dançarinos fazem uma roda e bailam em sentido contrário.

O pé torto do Atlético está na quantidade de pênaltis que faz. Foi assim contra o Avaí, o Colón e o Vasco, só trocando os pares. Se eu fosse o Rodrigo Santana, talvez colocasse os jogadores para aprender dança de salão, especialmente o “soltinho”, em que se prevalece a ginga e a improvisação.

A forma de jogar parece exibir um samba de uma nota só; mais previsível, impossível. Lembrei daquele programa do Sílvio Santos, em que ele pedia: “Maestro Zezinho, três notas, por favor”, e assim podia-se descobrir qual era a música. No alvinegro, não precisaria de tanto. Com uma apenas já teríamos um quadro completo.

Agora, já com mais da metade do campeonato, a impressão é de viveremos um grande bolero até o derradeiro jogo. E, para tornar tudo ainda mais emocionante, com uma possibilidade de disputa para não cair para a segunda divisão, bem de acordo com ostemas de bolero, sobre situações de desespero.

E pensar que o time chegou a nos empolgar com uma dancinha do armador Vina ao comemorar cada gol marcado, ao lado do campo, com o lateral Guga. Porém, ele deixou de ser nosso grande pé-de-valsa, quando ofuscou o camisa 10 Cazares, para retornar ao lugar onde começou na temporada: o banco de reservas.

Se Santana não “dançar” até o final do ano, que costuma ser o caminho mais natural nestes momentos de falta de criatividade, eu não pensaria duas vezes antes de levar todo mundo para Estraburgo, na França, na expectativa de que os jogadores fossem “contaminados” por uma estranha epidemia.

Diz a lenda que, em 1518, uma mulher começou a dançar sem parar durante três dias. Logo dezenas de pessoas se juntaram a ela, também pondo para requebrar. O curioso é que este contágio coletivo teria a ver com uma dança a São Vito. Não por acaso, o santo era invocado para pôr fim à letargia, mal do Galo nesta temporada.

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