É possível empreender no direito?

Direito Hoje / 05/09/2019 - 06h00

Camila Soares Gonçalves

Anos atrás, sequer era possível ousar na utilização da palavra empreendedorismo na mesma frase ou texto que continha a palavra Direito. Afinal, o profissional da área jurídica tinha que estudar e preocupar-se apenas com leis, doutrina e jurisprudência.

As faculdades de Direito nunca contaram com uma grade curricular de ensino destinada ao desenvolvimento pessoal do estudante, voltada ao empreendedorismo, incluindo, por exemplo, gestão de pessoas, liderança, marketing, networking, relacionamento com clientes, entre tantas outras possibilidades.

Dessa forma, os profissionais que se graduam no curso de Direito caem no mercado literalmente de paraquedas, sem o desenvolvimento de habilidades pessoais, tendo que aprender sozinhos e na prática, distantes das teorias e, na maioria das vezes, errando mais que acertando.

Mas assim como o perfil do cliente mudou, o cenário do Direito também. Cada vez mais o mercado tem exigido um profissional da área jurídica com perfil e características empreendedoras.

Empreendedor não é só aquele que é dono do próprio escritório de advocacia, como muitos podem pensar. Empreendedor é o profissional que inova, modifica sua forma de atuação, está em constante evolução e desenvolvimento humano, muito além do estritamente profissional.

Não adianta mais especializar-se com pós-graduações, mestrados e cursos estritamente jurídicos. Estes são enriquecedores, obviamente, mas não são mais suficientes às novas demandas do mercado.

O profissional do Direito atual e do futuro deve atuar seguindo o novo mercado, sem a tradição e formalismos desnecessários, focado cada vez mais no atendimento do cliente, de forma customizada e personalíssima.

E por falar em cliente, foi-se o tempo em que o advogado o esperava bater à sua porta. Com o mercado hodierno, altamente competitivo, é preciso aprender a captar clientes e vender o seu produto.

Sim, produto! Pois não se trata de prestação de serviços advocatícios, mas de um produto, pois o serviço qualquer profissional com OAB na mão pode prestar (ex: impetrar um mandado de segurança, propor uma ação indenizatória, etc.). O produto, ao contrário, é personalizado conforme os anseios do seu cliente e o que você está apto a entregar-lhe.

O que irá oferecer? Atenção, cuidado, carinho, paciência, persistência? É preciso descobrir o que você vende para poder precificar e ter clareza quando for oferecer ao cliente. Só não vale prometer a tão chamada “causa ganha”!

Então, se você achou que empreendedorismo era uma palavra bonita para ser utilizada somente junto aos empresários e donos de escritórios de advocacia, pode ir mudando de ideia desde já.

Empreender é ter coragem para arriscar, é mudar, é abrir-se para o novo, inovar, buscar cada vez mais destacar-se no mercado de trabalho, independentemente de você ser advogado autônomo ou empregado, sócio ou associado. Aliás, nem mesmo advogado precisa ser, vale para quaisquer profissionais da área jurídica, onde quer que atuem.

O profissional do Direito precisa, assim, especializar-se no desenvolvimento de competências e habilidades pessoais, tais como comunicação, relacionamento interpessoal, liderança, negociação, entre tantas outras, as chamadas soft skills, extremamente importantes para quem quer conquistar seu lugar agora e, principalmente, no futuro.

É preciso sair da zona de conforto, pois já existe muito do mesmo e não é fazendo igual que você irá alcançar resultados diferentes. 

Muito mais do que artigos de lei, o profissional do Direito de hoje deve saber empreender. Empreender exige amor, entrega, doação. Paixão pelo que você faz!

E então, já está pronto para empreender no Direito?

Advogada e professora da Escola Superior de Advocacia da OAB/MG e do Curso Prolabore. Mestranda, especialista em Advocacia Cível e em Direito Tributário

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários