3 passos para se organizar financeiramente em um cenário de incerteza

Opinião / 29/06/2020 - 06h00

Juliana Lopes*
Thais Vasconcelos**

Há um ditado popular que diz: “não prometa quando estiver feliz, não responda quando estiver com raiva e não decida nada quando estiver triste”. Como todo ditado, ele tem uma carga de sabedoria: em momentos de excitação ou incerteza, é necessário cautela. Quando passamos por uma situação como esta que estamos vivendo agora, de incerteza na economia mundial, o principal é ter segurança das suas finanças e obrigações para tomada de decisões e direcionamento da estratégia, tanto da sua vida pessoal, quanto da sua empresa.
Por isso, reunimos abaixo 3 passos para atravessar este período:

Passo 1: Organização e Planejamento
Use uma planilha, um caderno ou, de preferência, um sistema (existem vários no mercado, muitos deles gratuitos) para controlar suas entradas e saídas. Agora, mais do que nunca, é crucial não misturar as receitas e despesas pessoais com as da empresa. Essa separação é essencial para garantir a informação “limpa” para que você apurar os números e analisá-los na hora de tomar decisões estratégicas.

Feito o controle de saídas e entradas, projete para o futuro tudo que tem a pagar e tudo que tem a receber, separando em: 1) realizado - o que já vendeu e vai receber e o que já comprou e vai pagar; e, 2) previsto - o que você pretende vender e comprar para os próximos meses.
Atualize com o saldo do último dia com as saídas e entradas do futuro para ver até quando você terá caixa, sabendo qual seu dia crítico, bem como definindo quais atitudes terá que tomar para evitar que ele chegue.

Passo 2: Redução de custos e renegociação de dívidas e fornecedores

Corte todo e qualquer gasto que não seja essencial para o momento. Se sua empresa está fechada, cancele internet, desligue os equipamentos que consomem energia elétrica, venda equipamentos que não utilizará mais. Negocie com fornecedores e prestadores de serviços, por exemplo: com o proprietário do imóvel, negocie redução do aluguel pelo período da pandemia, com fornecedores, negocie descontos, adiamentos, parcelamentos ou redução dos valores cobrados. Mas lembre-se, tudo antes dos vencimentos originais para que as negociações fiquem mais amistosas. Verifique as penalidades dos seus contratos para definir os que possuem maior risco em caso de não pagamento e separe aqueles que são essenciais para sua atividade.

Esteja preparado para renegociar os contratos com seus clientes, eles também estão lidando com este cenário de incerteza e o momento é de flexibilização. Aqui também vale separar aqueles que são bons/maus clientes antes de definir pela negociação ou simplesmente pela rescisão - aproveite para analisar sua carteira e verificar qual serviço ou produto é efetivamente lucrativo para você.

Na vida pessoal não é diferente, analise quais despesas são supérfluas e podem ser reduzidas como compras, pacotes de canais de TV, academia, cursos - tem muita coisa sendo disponibilizada gratuitamente - aproveite! Este é o momento para dar aquela revisada com calma em taxas e serviços extras cobrados por bancos ou optar por bancos digitais com tarifas reduzidas ou zero tarifas, operadoras de telefonia, aplicativos de celular, dentre outros. Se você tiver caixa positivo por longo tempo, esse é um excelente momento para renegociar dívidas com bancos, na maioria deles os juros e tarifas estão reduzidos.

Se você planejou, conversou com mentores, e, ainda assim a única saída que resta é encerrar as atividades (sim, é triste, a empresa é um filho que dedicamos tempo, vida, dinheiro e esforço), aja e faça isso o mais rápido que puder. A cada dia que passa, mais dívidas se acumulam.

Passo 3: Reajuste de preço, metas e novas receitas
Reajustar o preço com desconto para o momento pode ser uma alternativa, mas não venda com margem de lucro negativa somente para não parar. Isso pode levar a uma dívida maior do que fechar a empresa. Atravessamos um momento incerto, não se prejudique.

Refaça suas metas com sua atual capacidade produtiva, ou seja: planeje as vendas com o que realmente consegue vender e entregar para saber o objetivo que consegue alcançar. Ajuste seus gastos com o que tem de previsão entrada no caixa. Seja realista.

Crie novas receitas. Se a sua empresa oferecia serviços e produtos que dependiam de presença física, agora o momento é de pensar em como digitalizar o que dá para gerar receita, se reinventar. Se não conseguir transformar-se para o mundo on-line, talvez seja o caso de pensar em um produto e serviço completamente diferente somente para o momento, arrisque, não dá pra ficar parado esperando as coisas voltarem a ser como eram. Não precisa mudar o posicionamento nem “pivotar” nas redes sociais da sua empresa se não for continuar depois que as coisas recomeçarem, mas pense em criar novos canais para vender o novo negócio, principalmente se o público é diferente do que tinha antes.

É tempo de sobreviver, de reter caixa, de ser mais eficiente, de consultar mentores, pedir ajuda. Seja transparente com a sua comunidade, com seus clientes, fornecedores, parceiros e prestadores de serviço. O momento é de união mesmo que estejamos em separados pelo isolamento social.

*Co-founder e CFO B2Mamy **CLO e Branding Content na B2Mamy

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