Aécio: Prevaleceu o bom senso

Opinião / 03/09/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

O PSDB nacional lavrou um tento ao rejeitar de maneira tão significativa a proposta de exclusão do seu ex-presidente e deputado Aécio Neves. Foi uma atitude de dignidade, independência e um alerta aos aproveitadores de plantão. 

O deputado Aécio Neves tem sido acossado por denúncias verbais e seu erro, reconhecido humildemente por ele, foi no palavreado usado numa conversa criminosamente gravada, cujo conteúdo em nenhum momento o compromete, por não se tratar de nenhum assunto de natureza comercial ou econômica, que dependesse da sua função ou mandato. 

A política brasileira anda hipócrita. Somos todos pelo combate à corrupção e ao aparelhamento do Estado. O mundo mudou nos últimos dez anos em termos de atividades políticas, sobretudo eleitorais. A turma do PT deturpou prática antiga, mas tolerada, de obter recursos de campanha para o enriquecimento pessoal ilícito de seus militantes e com graves danos ao erário. Com isso, levaram o Brasil a essa gigantesca crise, que se verifica difícil de ser superada, inclusive pela ação danosa de uma oposição sem uma gota de patriotismo. 

Sem entrar no mérito de acusações ainda não examinadas pela Justiça, é, no mínimo, dever de dignidade, correção profissional e respeito ao leitor lembrar que Aécio Neves tem uma trajetória a ser respeitada. Como deputado e presidente da Câmara, foi fundamental em alguns avanços na formatação do Estado brasileiro com o Plano Real. Governador por dois mandatos e fazendo seu sucessor, foi reconhecido pelo povo mineiro pela qualidade dos serviços prestados. Atingido por campanha recheada de ódios e ressentimentos, foi candidato a deputado federal, preocupado em não prejudicar a bancada de seu partido. Fez campanha discreta e não invadiu área de companheiros, sendo votado em todo o Estado. Não tivesse as qualidades da humildade, cordialidade e solidariedade, teria sido o mais votado de Minas. 

Indigna a covardia dos que querem fazer carreira apunhalando companheiros. E com telhado de vidro, como é o caso do senador José Serra. 

Percebe-se que o ex-governador de Minas enfrenta esses acontecimentos com serenidade e confiança. Não tem descido ao nível de detratores para responder. Seus acusadores e os que se aproveitam das acusações, são os que, certamente, serão julgados. O quadro não tem aspectos apenas legais, mas também morais. 

O tempo vai revelar a verdade. Mas o momento já expõe as indignidades! 

Jornalista e escritor

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