A coragem que o Brasil reclama

Opinião / 10/12/2016 - 06h00

Aristoteles Atheniense*

Se o impeachment de Dilma Rousseff foi recebido como o prenúncio de se restabelecer valores morais de que o Brasil ainda carece, a investidura de Michel Temer não pode ser considerada, até agora, como uma promissora solução, ante as graves questões que reclamam um tratamento tão enérgico como inadiável.

Na formação do Ministério, Temer demonstrou discernimento recrutando auxiliares de reconhecido valor, a exemplo de Henrique Meirelles. O mesmo não sucedeu na área política, a começar da infeliz escolha de Romero Jucá para o Planejamento, agora líder do governo no Senado.

A saída de seis ministros em seis meses é sinal evidente de que o critério adotado, inspirado somente em conveniência política e não em mérito pessoal, não surtiu efeito.

O recente episódio que concorreu para demissão do ministro Geddel Vieira Lima, revelou a falta de pulso de Temer. Caso Geddel fosse uma peça tão indispensável ao funcionamento da máquina governamental, em razão do extraordinário talento como negociador do governo junto ao Congresso, mesmo assim não merecia continuar integrando o ministério, por haver exposto o presidente a uma situação constrangedora.

A vacilação em que incorreu contribuiu para que o PT logo se lançasse em campo, anunciando aos quatro ventos a formalização do impeachment de Temer, na tentativa de recuperar o prestígio que perdeu, com vistas à eleição de 2018. 

Não menos reprovada foi a tibieza de Temer assim que eclodiu a emenda parlamentar, cuja aprovação impedirá a punição de quem praticou o chamado Caixa 2.
Conforme assinalou o ex-ministro Carlos Ayres Britto, essa emenda não se restringe somente a eximir da pena os que transitarem pelos domínios do Direito Eleitoral, estendendo-se às esferas penal e civil da ordem jurídica brasileira.

O Brasil reclama uma enérgica ação contra os que sabotam o novo governo, prestigiando o lema “Fora Temer”, cuja permanência no Planalto foi assegurada pela Constituição. Mais importante que prescrever a gravação das futuras entrevistas que venha a manter com os políticos, é proceder a uma revisão imediata de seus auxiliares diretos, que concorrem para o seu desprestígio. 

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB, diretor do IAB e do Iamg e Presidente da AMLJ

 

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