A crise em Minas Gerais

Opinião / 12/11/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

O momento que nossa economia vive, com primeiros sinais de recuperação, precisa chegar a Minas, que tem uma economia muito especial, concentrada em algumas atividades, como mineração, siderurgia e um agronegócio que vem se firmando, em saudável diversificação. Mas falta ainda um apoio mais objetivo a projetos como o Jaíba. 

Depois dos dois desastres ocorridos na mineração, em Mariana e Brumadinho, a atividade virou alvo de militantes da irresponsabilidade. O que precisa ser feito é garantir maior segurança na mineração e não inibir sua atividade. A ideia de reestatizar a Vale é demagógica e irresponsável. 

Na verdade, a Vale é semiprivada, pois tem comando na Previ, que é o fundo dos funcionários do Banco do Brasil, sujeito a influência governamental e do Bradesco, que, como todo banco, trata bem a todos os governos. O ideal seria a grande empresa ter um sócio estratégico do ramo. Minas e Pará são dois estados que precisam do crescimento da empresa para crescer.

Dispondo de centros de excelência no planejamento do desenvolvimento, como as fundações João Pinheiro e Dom Cabral, Minas pode formular um programa de investimentos para a mineração, com ênfase na segurança das barragens e na construção de novos ramais ferroviários. E, assim, facilitar a abertura de novas frentes, sem sobrecarregar as suas rodovias. 

As contas públicas precisam ser cuidadas sem fugir à realidade de que tudo passa pela diminuição do seu funcionalismo, dos gastos com Legislativo e Judiciário. O governo deveria publicar, em nome da transparência, os gastos com três poderes. O Executivo se sabe que paga mal e tem dificuldades no recrutamento de quadros estranhos ao funcionalismo. Mas, nos outros dois, as especulações são grandes e nada mais saudável do que a revelação da média salarial e dos vencimentos, incluindo todas as vantagens, do mais alto escalão. 

Na região central do Estado, que tem na exemplar Curvelo seu centro mais relevante, uma série de iniciativas poderia merecer as atenções do Poder Público, no sentido de atrair investimentos. Na região está, inclusive, o berço da indústria têxtil mineira, hoje, inexistente praticamente. O algodão, que já foi uma cultura de sucesso ali, poderia voltar com apoio da Embrapa, Emater e Secretaria de Agricultura. E, a partir de Montes Claros, antigos projetos industriais poderiam ser retomados, muitos voltados a aproveitar as condições dos municípios às margens do São Francisco. É preciso uma política agressiva, incluindo na piscicultura, que já foi significativa no passado, muito antes das técnicas modernas de criação extensiva.

E nunca é demais repetir que já está demorando muito a revitalização do Circuito das Águas, inclusive com a normalidade na produção de marcas de prestígio nacional, como Caxambu, Cambuquira e Lambari, inativas em mãos do Estado. 

Imobilismo não é recomendável. 

Jornalista e escritor

 

 

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