A dislexia no contexto escolar

Opinião / 04/04/2019 - 06h00
Cláudio Vieira de Lima*
 
A dislexia é uma dificuldade específica do processo de aprendizado. Seus sintomas são mais percebidos na leitura, por meio da soletração, da escrita, dos cálculos matemáticos e na qualidade da letra. A dislexia não tem como causa a falta de interesse de estudar, baixa motivação do aluno ou de vontade, como muitas vezes são assinalados pelos pais ou educadores, e sim um distúrbio neurológico. Como é um distúrbio do aprendizado, muitas vezes, não é bem diagnosticada no âmbito escolar. Pesquisas revelam que cerca de 15% da população mundial é disléxica. Apenas 3 a 6% das crianças em idade escolar são diagnosticados com dislexia, e as estatísticas indicam que o número maior de dislexias é do sexo masculino.
 
A dislexia tem sempre como causa elementar a relação espacial desvirtuada, fazendo com que a criança não consiga compreender suficientemente os identificadores da escrita. Não é um problema de inteligência nem uma deficiência visual ou auditiva, tampouco um problema afetivo-emocional. Temos várias pessoas famosas disléxicas, tais como Leonardo da Vinci, Tom Cruise, Einstein, Nelson Rockefeller, Hans Christian Andersen, Bill Gates, Anthony Hopkins, Pasteur, Júlio Verne, Spielberg e Agatha Christie, entre muitos outros. 
 
A criança disléxica deve frequentar a escola regular. É importante que a equipe escolar conheça os aspectos característicos da dislexia, o funcionamento leitor do disléxico e esteja pronta e disponível para atender estas necessidades especiais.
 
O processo de aprendizagem de leitura do disléxico é extremamente lento. Quando o indivíduo começar a ler, irá construir ao longo do tempo um estoque de palavras que serão adequadamente armazenadas em seu cérebro. No caso do disléxico, como apresenta dificuldade em nomear letras, sílabas e palavras, e relaciona poucas letras de uma palavra a seus sons, o resultado do armazenamento é desastroso e incompleto. Diante deste quadro, o leitor disléxico necessita muito mais tempo e contato com uma palavra impressa, a fim de que a representação da mesma seja clara e fiel ao que está escrito. Esses leitores dependerão muito do contexto para chegar ao significado e apreensão da palavra
 
A legislação existente em nível educacional não é específica para a dislexia ou dificuldades de aprendizagem. Ela se refere apenas à inclusão escolar como um direito de qualquer cidadão. Portanto, é necessário que a escola promova flexibiliza-ções e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. Tais adequações devem estar em consonância com o projeto pedagógico da escola.
 
Considerando que não há legislação específica sobre o assunto, tampouco norma legal que obrigue a escola a adaptação ao aluno com dislexia, a fim de evitar os desvios emocionais pelas frustrações de não acompanhar o tempo da turma no processo de aprendizagem e trabalhar na orientação da escola e dos pais, sugiro que o aluno seja incluído em atendimento neuropsicológico, psicológico e psicopedagógico.
 
(*)Professor das faculdades Promove
 
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