A experiência do paciente na saúde

Opinião / 14/08/2019 - 06h00

Alexia Costa

A prioridade atribuída à experiência do paciente pelas organizações de saúde em todo o mundo tem sido grande, porém, o mesmo ainda não acontece no Brasil. Muitos profissionais de saúde ainda não sabem o que quer dizer “experiência do paciente”, de forma a fazer confusão com satisfação do paciente. Mais do que nunca, a experiência do paciente se faz através de um esforço integrado entre qualidade, segurança, custo e resultados assistenciais.

Por definição, a experiência do paciente abrange a gama de interações que os pacientes têm com o sistema de saúde, incluindo planos de saúde, médicos, enfermeiros demais profissionais em hospitais, práticas médicas e outros serviços de saúde. Como parte integrante da qualidade dos cuidados de saúde, a experiência do doente inclui vários aspectos da prestação de cuidados de saúde que os doentes valorizam muito quando procuram e recebem cuidados, tais como, por exemplo, o agendamento de consultas antecipadas e o acesso fácil à informação e à boa comunicação com os prestadores de cuidados de saúde.

Entender a experiência do paciente é um passo-chave na mudança em direção ao cuidado centrado no paciente. Analisando vários aspectos da experiência do paciente, podemos avaliar até que ponto os pacientes estão recebendo cuidados que são respeitosos e respondem às preferências, necessidades e valores individuais. Avaliar a experiência do paciente, juntamente com outros componentes, como a eficácia e a segurança dos cuidados é essencial para fornecer uma imagem completa da qualidade dos cuidados de saúde. Os termos satisfação do paciente e experiência do paciente são frequentemente usados indistintamente, mas não são a mesma coisa. Para avaliar a experiência do paciente, é preciso saber dos pacientes se algo que deve acontecer em um ambiente de saúde (como a comunicação clara com um provedor) realmente aconteceu ou quantas vezes isso aconteceu.

Satisfação, por outro lado, é sobre se as expectativas de um paciente em relação a um encontro de saúde foram cumpridas. Duas pessoas que recebem exatamente o mesmo cuidado, mas que têm expectativas diferentes de como esse cuidado é deve ser entregue, podem dar classificações de satisfação diferentes, por causa de suas diferentes expectativas. Evidências substanciais apontam para uma associação positiva entre vários aspectos da experiência do paciente, tais como boa comunicação entre provedores e pacientes, e vários importantes processos e resultados de cuidados de saúde. Esses processos e resultados incluem a adesão do paciente às orientações médicas e multiprofissionais, melhores resultados clínicos, melhores práticas de segurança do paciente e menor utilização de serviços de cuidados de saúde desnecessários.

A experiência do paciente permite que pacientes, famílias e cuidadores definam o “valor” do cuidado prestado, fazendo com que as organizações de saúde foquem seus esforços no que importa para eles e não apenas no que é considerado problema. Os profissionais de saúde devem trabalhar para estabelecer novas relações com pacientes, famílias e cuidadores. Fortalecer a experiência do paciente, muitas vezes, significa implementar passos simples que poderiam fazer a diferença. Alguns exemplos: aumentar o cuidado para que o cuidador/paciente seja compreendido; manter uma conversa aberta com o paciente; interpretar as demandas dos pacientes e familiares de acordo com seus valores pessoais e culturais, suposições e crenças; compreender o cuidador como um “parceiro”. Algumas barreiras comuns que impactam a boa experiência do paciente são a linguagem (seja pelo fato de o paciente não falar a língua do país, ou pelo fato de os profissionais de saúde usarem apenas termos técnicos e incompreensíveis ao paciente), atitudes, expectativas não atendidas e estresse.

Diretora Científica do Ibes

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