A falta do PSD e dos mineiros

Opinião / 16/03/2021 - 06h00

Aristóteles Drummond*

A Revolução de 64, em que os governadores do Rio, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul e sobretudo São Paulo, praticamente empurraram os militares para as ruas, para atender a vontade popular, teve a habilidade de manter uma ponte com a classe política, feitas as depurações necessárias.

Assim é que os vices foram políticos mineiros, começando pelo habilidosíssimo José Maria Alkmin, depois o exemplar Pedro Aleixo, mais Aureliano Chaves. Os vices não mineiros foram os militares Augusto Rademaker e Adalberto Santos. E os grandes políticos que serviram aos governos militares ou eram mineiros ou eram pessedistas. E citaria Filinto Müller, Gilberto Marinho, Rondon Pacheco, Magalhães Pinto, Ibrahim Abi-Ackel, Murilo Badaró.

O governo Bolsonaro peca justamente na absoluta falta de habilidade, de jogo político. Tem obra, tem números, tem equipe acima da média dos últimos governos, mas fica sob fogo intenso. Não sabe se defender e abre a guarda em episódios desnecessários. A casa do senador, por exemplo, parece que tem amparo legal e fiscal, mas a questão é da conveniência, oportunidade da compra no momento que sabia que iria enfrentar esta onda. E vai se aborrecer, pois será espionado nos gastos a todo momento. 

O DNA na política é importante. O governador de Minas, Romeu Zema, não é político, veio da iniciativa privada, empresário de sucesso, mas vem ganhando relevância pelo comportamento discreto, habilidoso, pragmático, obtendo ganhos para o Estado. Afinal, costuma lembrar que foi eleito para governar e não para fazer política.

A turma do PSL ou é ruim ou é medíocre. Foram eleitos no vácuo do presidente. Quando ele recorre à velha política se dá bem, como na feliz escolha dos candidatos para a direção das duas casas no Congresso. Um mineiro, Rodrigo Pacheco, e um do PP – versão mais próxima do velho PSD nos partidos atuais –, o deputado Artur Lira, cujo pai, senador Benedito Lira, é um dos mais experientes do Congresso. Política se faz com políticos. E políticos não se fazem com amadores. Daí a existência do baixo clero.

E essa história de ficarem pegando no pé do governo pela aliança com o chamado centrão é outra bobagem mal explicada. Todos os presidentes governaram com os conservadores, inclusive militares. E os deputados indicavam pessoas; o SNI era apenas rigoroso na avaliação dos candidatos.

FHC e os petistas, que criticam o diálogo com o centrão, governaram com esta aliança. Renan Calheiros, inclusive, foi ministro de FHC. Bolsonaro não chegou a tanto...

*Escritor e Jornalista

 

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