A nova força do empreendedorismo brasileiro

Opinião / 09/04/2021 - 10h59

Rolse de Paula (*)

Muitos de nós crescemos ouvindo que as mulheres eram o “sexo frágil”. Mas, na década de 1980, Rita Lee compôs uma música bem criativa, que começava dando um recado bem forte: “Sexo frágil... não foge à luta”. E a cantora paulista estava (e está) muito correta, e bem realista. As mulheres são fortes e não fogem a nenhum tipo de luta. Além disso, nunca se deve duvidar da capacidade de quem tem o dom de gerar a vida.

Muitas das inovações até hoje são creditadas ao sexo masculino. Mas... é possível parar e olhar todo esse panorama com um pouco mais de atenção. Sim, as mulheres também deixaram legados importantes. Como esquecer das contribuições de Marie Curie para as ciências físicas e químicas? Como ignorar os esforços literários de Raquel de Queiróz, primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), apenas no decorrer da década de 1970? Sejamos francos. Lugar de mulher é onde ela quiser. E as mulheres são tão fortes, que não precisam dos homens para nada.

O empreendedorismo feminino, além de ser uma nova forma de subsistência, também se traduziu em um novo modo de gerar empregos. A grande maioria das micro e pequenas empresas é conduzida por mulheres. E o que isso significa, além da geração de uma nova gama de oportunidades? Incremento no recolhimento de impostos para o poder público. É a força feminina que está fazendo a roda da economia brasileira girar e produzir resultados inovadores.

Essa força do empreendedorismo feminino começou de maneira bem simples. Com a venda de produtos de porta em porta. E isso gera prosperidade. Um grande exemplo desse êxito? Basta olhar a história da fundadora da famosa multinacional de cosméticos, a Mary Kay.

Não “tapemos o sol com a peneira”. As mulheres vão conquistar cada vez mais espaços. E não apenas no mundo dos negócios. E é fácil chegar-se a essa conclusão. O dever de cuidar da família e de prover o bem-estar, por exemplo, dos filhos, do companheiro, dos netos. O sexo feminino é dotado de sensibilidade, o que faz com que as mulheres tenham um olhar mais humano sobre a vida. Isso é muito bem visto nas pessoas que exercem a função de mãe (por vezes, até de pai) nas famílias. A mãe foi a primeira, a desbravadora, a pioneira, em muitas funções. Foi a primeira professora, a primeira treinadora, a primeira médica, a primeira enfermeira, a primeira conselheira... para muita gente (homens, inclusive!).

Se o mundo atravessa mudanças? Sim, atravessa. Mas as mulheres estão lutando para que essa mudança seja para melhor. Quanto ao empreendedorismo, nota-se que as mulheres têm uma disposição maior para a materialização de novas tendências, novos estilos. Usando uma linguagem mais popular, é possível dizer que as mulheres não têm medo de inovar. Seja no lançamento de uma nova refeição, de um novo perfume, ou até mesmo de uma nova tecnologia (Hedy Lamarr conseguiu isso, quando cedeu aos militares estadunidenses o sistema que serviu de base para a atual telefonia celular), as mulheres provam que são mais destemidas e que não têm medo algum em tentar algo de novo (mais um exemplo da força feminina... serão as mulheres as primeiras astronautas a explorar o lado escuro - ou oculto - da Lua)!

O empreendedorismo é uma das maneiras de as mulheres demonstrarem que são capazes de realizar qualquer atividade. Num mundo em crise, em que a empatia e a compreensão devem se fazer cada vez mais presentes, não existe mais lógica para que se permita qualquer iniciativa misógina. As mulheres, dentro de sua capacidade de realização, provam, cada vez mais, que conseguem ser produtivas em qualquer tipo de atividade. E o fato de as mulheres serem pessoas de muito valor as torna capazes de conseguir as mais variadas façanhas no mundo dos negócios (até, como diz a sabedoria popular, “tirar leite de pedra”). O recado é esse. Permitam que as mulheres continuem com seu papel de protagonismo. Façam com que elas continuem atingindo postos de relevância na sociedade. A humanidade, como um todo, sairá ganhando. E o planeta Terra, com certeza, tornar-se-á um lugar melhor para todos.

(*) Advogada, fundadora do Projeto COCAJU – Congresso de Orientação de Carreira Jurídica

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