Abrindo a boca

Opinião / 28/12/2014 - 07h27
Por Camila Tardeli
 
Fala-se de trompete. Fala-se de pata de elefante. Fala-se de boca de sino. No final das contas, trata-se da mesma coisa: calças compridas de pernas largas. E a tão falada flare dos dias atuais, nada mais é que uma variação de nome desta tão controversa peça do vestuário feminino (e masculino, no passado). O que podemos dizer é que o grau de abertura da boca dessas calças e a quantidade de tecido utilizado para tal, diferenciam um modelo do outro. Os modestos 15 centímetros de boot-cut tornaram-se clássicos do guarda roupa durante a década de 70 e incríveis 63 centímetros (a legítima pata de elefante, vamos combinar?) colocaram a prova toda a elegância do modelo.
 
Na chamada antimoda dos anos 70, a perna da calça se abriu quando foram costurados retalhos de tecido nas laterais externas dos jeans. Era o surgimento das bocas de sino que logo estariam incorporadas às linhas de produção das principais indústrias de denim, como Levi’s Strauss & Co., Falmer, Wrangler e Lee, e nas pequenas fábricas com um custo muito menor.
 
Para os que dizem ser um crime contra a moda este tipo de roupa, existe um argumento plausível para sua defesa. Quando usados em uma silhueta esguia e de salto alto essa modelagem torna-se uma poderosa arma para alongar as pernas e afinar os quadris.
Descobrimos assim, o segredo de artistas de baixa estatura como James Brown, para quem centímetros extras de altura eram significativos. A barra ampla a partir da altura dos joelhos eram perfeitas para encobrir os sapatos. Já que falamos em artistas, Sonny e Cher podem ser considerados os grandes responsáveis pela disseminação dessas calças. Após aparecerem em seu programa de televisão, em horário nobre, usando um destes modelos, a mania se espalhou por todo os Estados Unidos. A banda sueca Abba, tão amada por suas músicas, e adepta ao excesso de tecido nas pernas, também foi vitima do disse me disse – “exemplo de como se pode tirar dois casais do subúrbio, dar-lhes fama e um figurinista próprio, mas não se consegue tirar o subúrbio que carregam em si.”
 
De boca aberta elas passaram pela estética hippie, pelo movimento black power e glam rock, dançaram em muitas discotecas e hoje não há quem as calem!
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