Amor ao primeiro velório

Opinião / 07/12/2019 - 06h00

Mauro Condé

“Quando foi que você fez algo totalmente novo pela primeira vez?”

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Aventuras de Vida.

Eles me levaram para o ano de 1971, para a Cidade de Paris, onde fui recebido pelo escritor e roteirista de cinema Colin Higgins, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Faça algo novo todos os dias, impreterivelmente!

E ele ilustrou isso lindamente em seu clássico livro que virou peça de teatro e filme cult “Ensina-me a viver”.

Era uma vez um jovem milionário de 19 anos, chamado Harold.

Ele nutria uma estranha obsessão pela morte e tinha como principais hábitos diários frequentar cemitérios, velórios e enterros de pessoas desconhecidas.

Harold também tinha a mania de tentar atrair a atenção da mãe, teatralizando, por diversas vezes, cenas de suicídio quase reais.

Excêntrico e exótico, gastou uma fortuna comprando um carro de luxo preto e transformou-o em um modelo sofisticado de carro funerário, para uso pessoal no dia a dia.

A mãe tentou ajuda de um padre local, de um terapeuta, de um tio ex-combatente de guerra e até de uma agência de namoros para o filho, sem sucesso.

Um dia, durante os muitos velórios que frequentava, Harold conheceu Maude, uma doce velhinha, que estava no auge dos seus 79 anos de idade e tinha os mesmos hábitos fúnebres que ele.

Foi amor ao primeiro velório, entre a velha apaixonada pela vida e o jovem obcecado pela morte.

Coube a Maude transformar o garoto ensinando a ele a doce arte do bem viver, da forma mais livre, menos convencional, menos deprimida e triste possível.

Ela o encantou injetando nele o gosto pela vida e ensinando a importância de viver cada novo dia como se fosse o último.

A maior missão na vida deles era fazer com que um se sentisse uma pessoa melhor por causa do outro.

Cada novo dia era melhor do que o anterior, nos mínimos detalhes.

Curta a vida adoidado, enquanto estiver vivo, era o mantra de Maude.

No dia em que completou 80 anos, Maude recebeu, de presente do namorado adolescente, uma festa a dois, com direito a chuva de pétalas e uma aliança com um pedido de casamento.

Porém, quis o destino que Maude morresse naquele mesmo dia, deixando uma linda lição: Só uma boa vida é capaz de garantir uma boa morte.

Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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