Armadilhas urbanas

Opinião / 02/12/2014 - 07h48
Por Jorge Fernando dos Santos

O título do presente artigo é tão óbvio que provavelmente já foi usado em outras matérias jornalísticas. Também não é pra menos. Apesar das muitas denúncias e reclamações, ruas e passeios de Belo Horizonte permanecem como pistas de obstáculos ou campos de guerra minados por armadilhas de todo tipo. Diariamente, motoristas e pedestres se veem diante de buracos, bueiros abertos, elevações e degraus inesperados pelo caminho. Isso talvez ocorra pelo fato de vereadores e prefeitos não circularem a pé pela cidade, mas em carros confortáveis pagos com o dinheiro dos contribuintes.

No caso específico dos passeios públicos, também se destacam parafusos de postes e pedaços de abrigos de ônibus desativados. Esses podem até causar tétano naqueles que eventualmente se machuquem. E não precisa andar muito para comprovar o óbvio. Perto da Praça ABC (esquina das avenidas Afonso Pena e Getúlio Vargas), por exemplo, os passeios estão repletos de buracos causados pelo deslocamento de pedras portuguesas mal-assentadas. Isso nas proximidades da Savassi, região nobre onde recentemente a prefeitura gastou milhões de reais numa sofisticada reforma. Na rua Professor Morais, esquina com Cláudio Manoel, uma elevação no asfalto em plena faixa de pedestres oferece grave perigo aos mais desatentos.

O Centro da cidade, por sua vez, dispensa maiores comentários. Todo mundo que circula por lá já conhece de cor todo tipo de obstáculos, que não são poucos. Entre eles destacam-se os desvios obrigatórios resultantes de obras realizadas em plena lua do dia, bancas de revistas e pontos de ônibus em passeios estreitos, caixotes de camelôs e bancas de lojas nas calçadas. Se perto da sede administrativa da PBH a situação é caótica, o que dizer dos bairros da periferia?

Mas o problema não decorre apenas da incompetência das nossas regionais. Também merecem registro as obras mal-acabadas realizadas pela Copasa, Cemig e principalmente pelas companhias telefônicas. Sem falar na displicência de comerciantes e de condomínios residenciais, que por falta de fiscalização nem sempre obedecem às normas, deixando passeios inacabados ou com restos de material de construção. Sem falar nos estragos cujo conserto seria de sua estrita responsabilidade.

Mas entre todos os absurdos o mais grave é a situação das calçadas na região hospitalar. Justamente num lugar frequentado principalmente por enfermos e idosos, as armadilhas parecem irremediáveis, oferecendo sérios riscos aos transeuntes. Ali o descaso salta aos olhos e causa revolta nos mais observadores. Certamente não existem estatísticas, mas não deve ser pouca a ocorrência de acidentes na área.

Além de pessoas idosas e com dificuldades de locomoção, os que mais correm riscos de acidentes provocados pelas armadilhas urbanas são os deficientes visuais. Alguém que duvide pode fazer um teste, caminhando alguns metros de olhos fechados pela calçada. Em alguns locais foram sabiamente assentadas trilhas específicas para quem não enxerga, o que já é um bom começo. No entanto, esse tipo de iniciativa tão comum em outras cidades ainda não é suficientemente abrangente em BH.

(*) Jornalista e escritor
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