Associativismo: o bem coletivo acima das vontades individuais

Opinião / 19/10/2020 - 06h00

José Abud Neto*

Qual a importância do associativismo? Por muito tempo se questionou sobre a real relevância do associativismo para empresas e foram muitas experiências relacionadas ao tema, algumas deram muito certo e outras nem tanto. Mas, se formos pensar de forma prática, o associativismo sempre acompanhou a humanidade.

Isso pode ser visto, através da história da humanidade, desde quando se uniam para a caça e compartilhavam os resultados. Mas com a evolução da sociedade, o associativismo também evoluiu. Hoje temos até mesmo essa prática entre países, se pensarmos no G-7 (Grupo dos Países mais Industrializados do Mundo), Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), União Europeia - União dos Países Europeus, Mercosul (Mercado Comum do Sul) e outras que buscam objetivos comuns.

Em contraposição com as grandes nações, temos o Associativismo Empresarial, que tem um impacto principalmente nas pequenas e médias empresas que se unem para fortalecer suas ações e serem mais competitivos. A importância delas é muito grande. Podemos citar o trabalho que desenvolvemos pela Febrafar, que disponibiliza ferramentas para que nossas redes associadas e suas lojas possam competir em pé de igualdade com os grandes players do mercado.

Podemos afirmar hoje, com base em números, que se criou um movimento associativista que impactou muito no mercado, que há anos, cresce muito mais do que qualquer outro agrupamento e que incorporou o protagonismo em um mercado de grande concorrência.

Felizmente, o modo desenvolvido está aí para ser replicado, mas para que realmente o sucesso seja alcançado, acredito em uma regra muito importante: o andar juntos em busca de objetivos coletivos e não individuais. O associativismo que praticamos tem como destaque a busca por objetivos comuns e esses ultrapassam o somente comprar melhor. Hoje o associativismo é uma forma em ter estrutura de equipe e tecnologia a favor de uma gestão voltada para o resultado das associadas.
Quem poderia imaginar que pequenas e médias farmácias poderiam ter um dos maiores e mais modernos programas de fidelidade do país? Elas têm o Programa de Estratégias Competitivas (PEC). O mesmo acontece com o Painel de Aferição de Indicadores (PAI), uma ferramenta de gestão que proporciona dados estratégicos para empresas e o Sistema Integrado de Compras (SIC), que propicia a realização de compras coletivas por meio de ofertas negociadas previamente com as distribuidoras e indústrias.

E esses são apenas alguns exemplos que resultam no sucesso conquistado hoje. Um alerta é que isso só se faz possível com uma real preocupação com o coletivo. Para que pudesse obter esses resultados, a Febrafar e seus líderes têm como premissa que o importante é fazer aquilo que é necessário, não aquilo que se quer.
Hoje podemos afirmar que esse é um grande diferencial da Febrafar em relação aos modelos de gestão convencionais. Sempre existe a reflexão: isso é o que eu quero ou é necessário? Com isso colocamos o grupo acima do individual.

Mesmo assim, o ambiente não tem que ser puramente de negócios, mas também um ambiente de amizade e de troca. Lembrando que, por mais que todos sejam do mesmo segmento, a postura no associativismo não é de concorrência, mas de soma. Hoje existe uma relação de amizade nesse grupo. Essas amizades nasceram dos negócios e isso faz toda a diferença.

* Diretor-geral da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar).

 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários