Avanço da obesidade em crianças e adolescentes

Opinião / 10/12/2018 - 07h00

Dados revelados por um estudo realizado pela Imperial College de Londres, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), revelaram que a obesidade infantil atinge atualmente dez vezes mais crianças e adolescentes do que na década de 1970. Isso significa que, nos últimos 40 anos, o número de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos nessas condições aumentou dez vezes, correspondendo a 124 milhões de pessoas. A Organização também estima que em 2022 existirão mais crianças obesas do que abaixo do peso em todo o mundo.

A estatística de crianças obesas no Brasil também é muito elevada. Um em cada três brasileiros apresenta sobrepeso ainda na infância. O Ministério da Saúde estima que 33% das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos, hoje já estejam acima do peso. O índice de meninos obesos alcança 16,6% e dentre as meninas a taxa chega a 11,8%, segundo informações contidas nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE 2008-2009. Já entre os jovens com idades de 18 a 24 anos, o percentual aumentou em 110% nos últimos dez anos no país. 

A obesidade nas crianças e adolescentes vem sendo impulsionada pelo aumento do consumo de alimentos industrializados – fast-food, comidas ricas em gordura e pobres em nutrientes –, aliado ao sedentarismo.

Vários estudos comprovam que se uma criança tem um pai obeso, ela terá 40% de chance de vir a se tornar um adulto obeso. Se os dois pais são obesos, essa possibilidade dobra, contra 10% de possibilidade, caso nenhum dos pais forem obesos.

Crianças obesas podem desenvolver hipertensão arterial, dislipidemia (aumento do colesterol triglicérides), diabetes, apneia, depressão, asma brônquica e problemas osteoarticulares, cardiovasculares, ortopédicos e hepáticos. Entre as meninas, a obesidade pode causar um amadurecimento físico precoce, ocasionando uma puberdade antecipada e ciclos menstruais irregulares.

Todas as alterações causadas pela obesidade em crianças podem levar a uma queda da capacidade física desses pacientes, assim como a um declínio em seus rendimentos escolares. Estes fatores fazem com que essa criança passe por situações de bullying que, quando acontecem, podem intensificar os problemas psíquicos.

O tratamento da obesidade em crianças e adolescentes deve ser multidisciplinar. A principal ferramenta terapêutica é a mudança comportamental de toda a família.

Henrique Eloy (*)
(*) Médico, especialista em endoscopia digestiva e gastroenterologia

 

 

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