Avanços do Brasil na luta e combate ao tabagismo

Opinião / 31/05/2016 - 08h21

Paulo César de Araújo Rangel (*)

Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável, o tabagismo afeta um terço da população mundial adulta, 2 bilhões de pessoas. A fumaça do cigarro possui 4,7 mil substâncias tóxicas causando ou agravando mais de 50 doenças como câncer de boca, pulmão, doenças do coração, acidente vascular cerebral, bronquite e enfisema, além de abreviar a vida em 12 anos.  O tabagismo é responsável por cinco milhões de mortes no mundo anualmente. Histórico suficiente para uma reflexão sobre como o Brasil tem realizado avanços na luta e no combate ao tabagismo e os benefícios dessa conquista para a sociedade.

Nos últimos vinte anos as sanções aplicadas aos fabricantes de cigarros, juntamente com a proibição de propagandas e da exibição pública das marcas, os alertas sobre os malefícios embutidos na embalagem do produto e a restrição de fumar em ambientes fechados contribuíram para redução do número de fumantes no país, passando de 35% da população, em 1990, para 11%, em 2015. 

Embora pareça simples, a decisão de parar de fumar pode ser desafiadora. O tabagismo causa não apenas dependência física, mas psicológica e comportamental. Por isso, o tratamento para quem deseja parar de fumar deva envolver equipes multidisciplinares, formadas por médicos e psicólogos. É preciso avaliações clínicas e acompanhamento para auxiliar no processo de interrupção do tabagismo. Afinal, o fumante precisa repensar seus hábitos e preencher o tempo ocioso com atividades prazerosas, para afastar o desejo de fumar mais um cigarro. A todos que estão no processo de abandonar o hábito, sugiro que recompense o esforço com algo que lhe dê prazer. 

As ações de combate ao tabagismo têm potencial para causar impactos que vão além da saúde e bem-estar. A redução de fumantes no Brasil, afeta positivamente também as redes privadas e públicas de saúde. Afinal, diminuir o número de fumantes significa reduzir despesas com internações, procedimentos cirúrgicos, consultas e propiciar mais qualidade de vida aos indivíduos. Isso porque o tabagismo pode agravar uma série de doenças, tornando tratamentos simples em procedimentos mais complexos, aumentando o período das internações e trazendo outros riscos. Dessa maneira, a prevenção é sempre menos onerosa que a intervenção. Válido reforçar que as doenças afetam não somente o fumante ativo, mas o passivo também, aumentando riscos de doença. Estima-se que cerca de sete não fumantes morrem por dia em consequência do fumo passivo. 

Embora os avanços tenham sido grandes, a batalha continua e os desafios contra o tabaco são diários. Por isso, convoco a todos para que no dia 31 de maio, Dia Mundial sem Tabaco, tenham atitudes de conscientização sob a ótica da promoção da saúde. Ações de prevenção à iniciação do tabagismo e da cessação de fumar precisam ser ininterruptas, tanto por parte do governo quanto pela população, em nome da vida com mais saúde e qualidade!

(*) Cardiologista e Diretor de Controle da Unimed Federação Minas

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