Bariátrica na adolescência

Opinião / 03/08/2020 - 06h00

Pollyana Araújo*  

        Atualmente, mesmo representando uma importante mudança de vida para centenas de brasileiros, a cirurgia bariátrica ainda é considerada um procedimento polêmico, quando se trata de adolescentes. Por ser uma fase conturbada e repleta de mudanças, muitos acreditam que a intervenção pode ser prejudicial. Entretanto, a cirurgia significa uma grande melhora na qualidade do cotidiano em dezenas de casos.

         Nos últimos anos, observou-se o aumento significativo na incidência de casos de obesidade infantil. No Brasil, segundo dados do IBGE, 15% das crianças entre 5 e 9 anos e 25% dos adolescentes têm sobrepeso ou obesidade, sendo que, em 95% dos casos, a obesidade está ligada ao sedentarismo, alimentação inadequada e problemas familiares. A cirurgia bariátrica tem se tornado uma opção viável para alguns casos, principalmente com o desenvolvimento de técnicas mais avançadas de videocirurgia, com menor trauma cirúrgico.

         Quanto antes a cirurgia for feita, melhor, por proporcionar chances menores para o desenvolvimento de outros problemas de saúde, como hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol, distúrbios do sono e problemas ortopédicos.     

         É essencial entender quem pode fazer a cirurgia. São considerados candidatos, as pessoas com índice de massa corporal (IMC) acima de 40 Kg/m2, com comorbidades associadas, ou seja, doenças relacionadas, ou acima de 50 Kg/m2, independentemente da presença de comorbidades. É crucial ter a equipe multidisciplinar para avaliar a necessidade do procedimento.

        É preciso confirmar que o adolescente já completou o desenvolvimento ósseo, pois não pode ser submetido à cirurgia em fase de crescimento. Também é necessário um laudo psicológico autorizando a operação, e o profissional deve fazer um acompanhamento rigoroso, identificando os medos, expectativas e o que a obesidade representa em cada caso. 

         O acompanhamento com o psicólogo e o cumprimento das regras do pós-operatório também são fundamentais após a cirurgia. É necessário seguir uma dieta, praticar atividade física periódica, e modificar a relação estabelecida com a comida. O adolescente que não segue as recomendações médicas, corre o risco de voltar a ser obeso. Adaptar e preparar a mente em relação à alimentação é muito difícil, porque, geralmente, envolve ansiedade e nervosismo. Muitas pessoas cientes das restrições alimentares acabam comendo doces escondidas. Também existe o fator do ambiente influenciador: se os pais e familiares não ajudarem nessas mudanças, a pessoa retoma velhos hábitos.

O interessante é estabelecer medidas clinicas, antes de considerar a cirurgia. Para o adolescente que não conseguir perder peso sem intervenção, depois de todos os protocolos, o ideal é não perder tempo. A cirurgia muda a pessoa, porque, geralmente, foi uma criança obesa com a consequência social desse processo. Quando se vê emagrecendo e conquistando melhoras na mobilidade e saúde, sente-se muito melhor e apresenta uma elevação da autoestima. O adolescente se transforma em um adulto saudável.

Cirurgiã bariátrica no Hospital Madre Teresa

 

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