Biotecnologia de leveduras

Opinião / 09/04/2019 - 19h06

Desde a antiguidade, as leveduras são reconhecidas como protagonistas na produção de alimentos e bebidas fermentáveis e, mais tarde, na obtenção de pigmentos, co-fatores, proteínas e outros produtos com valor agregado. Nas últimas décadas, devido ao advento da engenharia genética, bem como a sedimentação do conhecimento das propriedades biológicas e fisiológicas das leveduras, tem-se possibilitado sua potencial aplicação na produção de proteínas heterólogas de interesse biotecnológico, especialmente de organismos eucariotos. A Kluyveromyces lactis é uma das espécies empregadas biotecnologicamente devido as suas características favoráveis, que incluem status GRAS (Generally Recognized As Safe) reconhecida pela FDA (Food and Drug Administration), com altos rendimentos de biomassa e proteínas heterólogas.

Com base na habilidade da K. lactis em assimilar lactose como fonte de carbono, é possível sua aplicação em processos que envolvam a biorremediação e bioconversão. O aumento da produção de derivados do leite ao redor do mundo também tem levado ao aumento do volume em larga escala do soro proveniente de alguns produtos como o queijo. O soro de queijo (rico em lactose) tem alta demanda química e biológica de oxigênio e a falta de métodos acessíveis para sua eliminação tem levado ao descarte no esgoto comum, o que pode ser perigoso em termos ambientais.

Porém, devido às leis ambientais que forçam as indústrias a dar um destino seguro a esse material residual, a forma mais econômica que as indústrias têm encontrado para eliminação do soro de queijo, é a sua transformação em produto de valor comercial através da fermentação por microrganismos que assimilam lactose. Logo, apesar de muitos fungos e bactérias possuírem a capacidade de produzir β-galactosidase, somente microrganismos com status GRAS, como a K. lactis, são aprovados para bioconversão do soro de queijo em produtos de interesse para indústria farmacêutica e alimentícia. Então, a habilidade da K. lactis em crescer em um meio barato e abundante, juntamente com a fácil manipulação genética, fazem dessa levedura uma excelente hospedeira para produção de proteínas de interesse biotecnológico e formulação de produtos de valor agregado. 

Autores: Prof. Yaro Luciolo dos Santos - Mestre em Microbiologia, Doutor em Bioquímica e Pós-Doutor em Biologia Celular e Estrutural, professor do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Profa. Aichele Teixeira Lis - Mestra em Educação, Gestão Social e Desenvolvimento Local, professora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Profa. Carolina Campos Cabrini - Mestra em Tecnologia de Alimentos e Segurança Alimentar, professora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários