Bolsonaro não vai tomar cicuta

Opinião / 01/09/2020 - 08h40

Por Aristóteles Drummond 

Nenhuma novidade na recuperação da aceitação ao governo e, em especial, ao presidente da República. O povo não é bobo, as classes médias estão mais informadas e avaliam as mudanças ocorridas no Brasil nestes 20 meses.

O presidente, apesar da espetacular performance eleitoral, eleito com uma frente de mais de dez milhões de votos, sem partido, sem dinheiro, mas com uma boa ideia e um programa claro e definido, chegou ao poder muito isolado, cercado no seu círculo mais íntimo por um grupo de bem-intencionados desastrados. Foram criando caso com os próprios companheiros de jornada, descuidados nas opções em áreas sensíveis, como educação, cultura, comunicação. E estimularam o presidente a uma inacreditável política de confronto com outros poderes da República e seus titulares. Também deslizou ao se manifestar diante de uma pandemia, cujo combate foi bem feito, mas cercado de intervenções inadequadas. Nas redes sociais, pontificava uma patrulha radical que não permitia a menor observação sobre estas atitudes desnecessárias, gratuitas e prejudiciais ao governo e a seu grandioso projeto de finalmente colocar o Brasil no caminho do progresso, com justiça social, meritocracia e austeridade, com ordem.

Começaram as manifestações de rua em favor de quem já estava no poder e chamou a oposição para as ruas. Colocaram o presidente a um passo do precipício.

Agora, dedicou-se mais a visitar obras, a viajar aos estados, assumindo posições de chefe da Nação, como no envio de seu antecessor em missão no Líbano, e a falar de obras e medidas de interesse público. Assim, não só cresceu como deixou seus impecáveis críticos desgastados pela campanha sistemática, pessoal e mesquinha, muitas das vezes a ponto de provocar revolta em boa parte da chamada maioria silenciosa. E os que aceitavam o confronto de boa fé entenderam que estavam errados.

Espera-se que o presidente não caia na armadilha de que a popularidade deriva do “coronavoucher”, que a oposição quer ver prorrogado, para condenar seu governo ao maior fracasso do século. Finanças não aceitam desaforo. Estamos falando, desde a primeira linha, do óbvio ululante

Deixando de lado a postura de agressividade justamente aos que poderiam ajudar ou prejudicar seu governo, permitiu que emergisse a grande obra que vem realizando através de excelentes escolhas como são os casos mais conhecidos e próximos da unanimidade, como os de Paulo Guedes, na Economia, Tarcísio Freitas, nas obras públicas, especialmente nos transportes, e Teresa Cristina, fantástica. E as entidades estatais retomam prestígio, como os bancos do Brasil, Central, Caixa e BNDES. Tivesse o governo uma boa política que combinasse comunicação, publicidade e lideranças, o potencial a ser explorado seriam as dezenas de medidas simples, facilitadoras da vida do cidadão, que vêm sendo tomadas, além de desburocratizantes para o setor privado. O melhor, senão o único, que aparece bem na mídia, em especial na televisão, defendendo o governo e o presidente, é o experiente senador Fernando Bezerra. E tem os que mereceriam uma maior solidariedade do governo, pelos méritos inquestionáveis, mas que, talvez, por isso mesmo, seja alvo de injusta campanha, que é o excelente Ricardo Salles, que merece ser alinhado entre os melhores da equipe. 

Espera-se que o presidente não caia na armadilha de que a popularidade deriva do “coronavoucher”, que a oposição quer ver prorrogado, para condenar seu governo ao maior fracasso do século. Finanças não aceitam desaforo. Estamos falando, desde a primeira linha, do óbvio ululante!

 

 

 

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