Brasil enfrenta escassez de bibliotecas

Opinião / 09/04/2019 - 06h00

Marília Paiva*

As bibliotecas são importantes aliadas na disseminação do conhecimento, principalmente no processo de aprendizagem escolar como uma extensão da sala de aula. A Lei 12.244 de 2010 determina a obrigatoriedade de bibliotecas em todas as instituições de ensino. O Brasil possui uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes, sendo 7.166 cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas do Ministério da Cultura. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), grande parte da população brasileira não possui um local apropriado que estimule a leitura.

O desinteresse dos brasileiros pela leitura é outro aspecto preocupante, pois, segundo o estudo Retratos da Leitura, 44% da população não têm o hábito de ler e 30% nunca compraram um livro. A educação é uma das principais ferramentas para a evolução de um país. O investimento em conhecimento é uma forma inteligente de melhorar o futuro. As bibliotecas guardam livros que, por sua vez, carregam a importante tarefa de civilizar humanos, levando conhecimento e eternizando informações e dados.

É certo que a internet concorre diretamente com as bibliotecas, principalmente, considerando a acessibilidade, já que, com os avanços tecnológicos e a modernização dos smartphones, é possível pesquisar e acessar vários tipos e canais de conteúdo. Entretanto, a credibilidade e a veracidade das informações virtuais em muitos casos são questionáveis.

A leitura é um processo de educação e estímulo que deve ser introduzida no cotidiano desde o começo da alfabetização. É nesse início que as bibliotecas se tornam ainda mais importantes para o estudante, já que são um “templo” de proteção das infinitas possibilidades para o universo literário.
Não é difícil encontrar pessoas resistentes à leitura e, na maioria das vezes, sem motivo específico. Contudo, será que realmente não gostam ou não foram apresentadas da forma adequada a esse universo ou, então, não tiveram a oportunidade de se identificarem com algum gênero textual que despertasse o interesse pela leitura.

Para a ação de ler se tornar adjunta da construção do conhecimento e formação do individuo, é necessária a leitura se tornar um hábito prazeroso. As bibliotecas são mais que um espaço com livros, pois a pluralidade alcança a ressignificação na educação.


O ambiente é supervisionado por um bibliotecário com habilidades para instruir e auxiliar na descoberta bibliográfica, apresentando os recursos disponíveis e ajudando na construção de leitores críticos e engajados. As bibliotecas estimulam a interação social e a troca de conhecimentos. Mesmo com sua característica de ambiente silencioso, é possível observar a troca entre leitores, quer seja para ajuda a localizar determinado livro ou em dicas de obras literárias. A biblioteca está se reinventando e já é possível observar um crescimento em relação a 2010, mas o número de unidades ainda está abaixo do ideal para formar um Brasil de leitores. É fundamental investir em politicas públicas para valorizar esse importante setor da educação e uma das molas propulsoras do crescimento.

(*)Presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região 
 

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