Brasileira não vai ao ginecologista

Opinião / 11/06/2019 - 06h00

Agnaldo Lopes

Apesar de ser extremamente necessária, a visita ao ginecologista ainda é tabu para muitas brasileiras, pelos mais variados motivos: falta de conhecimento, vergonha do próprio corpo, medo sobre o que o profissional pensará sobre o caso e receio em descobrir alguma doença grave. A função médica é exclusivamente ajudar. A rotina de hábitos saudáveis, como consultas e exames regulares, deve começar na adolescência, como prevenção de doenças e diagnósticos precoces.

Pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), com o Datafolha, sobre a saúde da brasileira e seu relacionamento com o ginecologista, ouviu 1.100 mulheres em quase 130 municípios. O resultado é que 2% não têm frequência definida, 5% nunca foram e 8% não costumam ir, ou seja, mais de 5,6 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista.

Outro dado relevante é que a primeira consulta ocorre aos 20 anos, uma idade tardia. Geralmente, o principal motivo para essa primeira consulta é gravidez ou suspeita de gravidez. Também pode ocorrer de a mulher procurar um ginecologista por algum problema ginecológico ou a chamada prevenção.

Infelizmente, a falta de conscientização e de esclarecimento impede a primeira consulta no início do período menstrual. O contato é oportunidade de expor processos de amadurecimento da puberdade e orientar sobre a habitualidade menstrual. Na consulta também se repassam informações sobre iniciação sexual e perigos e meios de se evitar doenças sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos.

O ginecologista orienta sobre exames como os preventivos contra o câncer de colo de útero e de mama, importantes para a descoberta precoce de doenças. A recomendação é uma consulta anual, no mínimo, sendo que, para o Papanicolau, de três em três anos.

Os cânceres ginecológicos se apresentam de forma silenciosa e, por isso, de difícil descoberta. Cerca de 75% dos casos são detectados em fase avançada, comprometendo o prognóstico.

É preciso uma mudança de mentalidade, trocando uma medicina baseada em tratamento de doenças por uma medicina mais preventiva.

Professor da UFMG e ginecologista 

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