Canelada

Opinião / 17/04/2019 - 06h00

Aroldo Rodrigues*

Como sabemos, o preço do petróleo é reajustado pelo mercado internacional e cotado em moeda estrangeira, por isso a ordem natural é que os valores internos sejam reajustados de acordo com a volatilidade desses fatores.

Foi o que a Petrobras pretendia fazer na semana passada, chegou a anunciar um reajuste de 5,74% nas refinarias para corrigir a oscilações dos preços internacionais, mas o aumento foi barrado pelo presidente da República Jair Bolsonaro (PSL). 

Essa atitude política do chefe do Executivo nacional, visando acalmar interesse de grupos específicos, é tudo que não queremos ver em um governo, ainda mais quando este governo se alçou ao poder justamente com a proposta de seguir a linha liberal.

A mensagem que o presidente Bolsonaro passa com esta medida é a de que suas decisões pessoais estão acima de questões técnicas.
Esse embate já era questionado durante a campanha presidencial, todos queriam saber se o superministro Paulo Guedes teria efetivamente carta branca.
 
Até parece que, em muitos aspectos sim, Paulo Guedes está conduzindo a política econômica com viés liberal e anti-estatal, mas atitudes como esta do presidente Bolsonaro podem colocar todo o esforço abaixo.

Apesar de não concordar com as intervenções estatais, o governo tem seus meios para fazê-la. Aprova um subsídio, o dinheiro sai do tesouro e assim segura artificialmente os preços. 

Essa seria a forma legal de fazer, e não um telefonema direto para o presidente da estatal. 

O mercado teme que atitudes como essas sejam repetidas pelo presidente Bolsonaro, temos exemplos recentes que provam para onde estas medidas levam um país. A própria Petrobras é prova viva do quanto o represamento de preços é danoso.

Outro receio que se cria é o possível impacto desta medida na aprovação da reforma da Previdência. Ainda que os fatos não tenham ligação direta, qualquer fato que arranhe a credibilidade do Palácio é ponto de preocupação para a aprovação da reforma. Reforma está que é condição sine qua non para a retomada do crescimento sustentável.

(*)Economista, pós-graduado em consultoria empresarial, palestrante e professor universitário

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