Capitalismo sob pressão

Opinião / 13/08/2019 - 06h00


Aristóteles Drummond

Lenin já dizia que o capitalismo iria criar a corda com que iria se enforcar. Agora, mais de século depois, talvez, possamos entender a profundidade do perigoso revolucionário, do qual o mundo livre sobreviveu em função de sua morte prematura. Mas o leninismo, muito mais do que o marxismo, manteve o comunismo, dominando parte do planeta e sabotando a outra parte por 70 anos, pelo menos, usando e abusando da violência.

Dentro de teoria leninista, o papel dos “inocentes úteis” sempre foi importante, assim como uma preocupação de influir na juventude por meio de professores treinados para a doutrinação e as mídias em geral, incluindo intelectuais. Nota-se o sucesso do projeto pelo número de intelectuais e artistas de renome comunistas notórios, desde Charles Chaplin a Picasso, passando por Gabriel Garcia Marques, além dos ativistas de Hollywood. No Brasil, como em Portugal, são exemplos Portinari, Di Cavalcanti, Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Saramago e Jorge Amado – este deixou o comunismo 20 anos antes de morrer. Os mais puros e idealistas romperam, como foram os casos de Mário Vargas Llosa, Jorge Semprún, Costa Gravas, Yves Montand e muitos outros.

Na área política, os chamados social-democratas formam até hoje uma linha auxiliar do projeto de destruição do capitalismo, anulando a rentabilidade da poupança, desestimulando com intervenções o investimento imobiliário e confiscando parte de heranças por meio de pesados impostos. Com isso, o dinheiro em mãos de gerações está em declínio em todo o mundo. Prática sutil de desestimular a poupança – da qual o capital se alimenta para gerar riquezas, via crédito à indústria, comércio, agronegócio e serviços – tem sido não remunerar valores financeiros e uma enorme carga fiscal sobre o pouco que se pode ganhar no mercado financeiro. Além do fim do sigilo bancário, que foi cláusula pétrea do capitalismo até o início deste século.

O exagero do crescimento dos empregos públicos em todo o mundo tem sido o principal fator dos altos impostos, da perda de competitividade das sociedades industrializadas, sem apelo para gerar bons empregos no setor privado através do investimento na formação profissional dos mais jovens. Com isso, deslocou empregos para países comunistas como China e Vietnan, e outros. Hoje, o sonho de todo jovem é ter um emprego público.

O chamado dinheiro velho sabia se defender, enquanto os novos ricos, dedicados a seus negócios e ao gozo do sucesso material, são presas fáceis dos que solapam o capitalismo. Daí a esquerda caviar.

A corda para o enforcamento do capital está justamente na área do crédito. Os países estão endividados, assim como os consumidores, os bancos fragilizados e com baixa qualidade em seus créditos. Um calote de países como Turquia e Grécia pode gerar uma implosão do sistema financeiro. 

Não seriam outros os motivos da má vontade da mídia mundial com os governos eleitos livremente nos EUA, Brasil, Itália, Hungria, Chile, Argentina Israel e outros tantos. Lenin era mesmo um homem de visão!

Jornalista e escritor

 

 

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