Casos de estresse e ansiedade crescem 80% com pandemia

Opinião / 23/09/2020 - 06h00

Adriane Pedrosa*

Antes da pandemia o Brasil já era o segundo no ranking de população mais estressada do mundo, de acordo com uma pesquisa de 2017, realizada pelo International Stress Management Association. Agora, um levantamento recente da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), mostrou que os casos de estresse e ansiedade aumentaram em 80% com o distanciamento social.

Infelizmente esse cenário já era esperado, haja vista que o coronavírus descontrolou vários aspectos de nossa vida: ficamos temerosos com o futuro e com medo de perdermos pessoas queridas para a doença. Com a pandemia os projetos ficaram parados, a casa mais cheia, as tarefas dobraram. Isso sem falar da falta de dinheiro gerada pelo desemprego em milhões de lares brasileiros e das próprias privações do isolamento social. Tudo isso acarreta em um estresse muito grande, principalmente porque o ser humano, de modo geral, gosta de se sentir no controle das coisas, seguro, confortável. Comparo a Covid-19 como uma espécie de cratera que se abriu repentinamente a nossa volta, derrubando todas as nossas certezas e convicções.

O estudo da UERJ mostra também que as mulheres são as mais afetadas por problemas emocionais em decorrência do isolamento social, o que para mim pode ser explicado por inúmeros fatores. Um deles se deve a questões histórico-culturais. Ao longo dos tempos nos cobramos (e fomos cobradas) no sentido de conseguir fazer tudo, dar conta de tudo. Também é importante dizer que com a emancipação feminina, ocupamos postos importantes na sociedade, o que é superlegítimo, mas, em compensação, além de exercermos esses novos papeis, muitas de nós continuaram desempenhando a função de cuidadoras da casa. E agora, por não terem o apoio das escolas (que estão fechadas), começaram a realizar 1001 tarefas, o que culmina em um estresse intenso dentro de casa. Para aquelas que não têm o apoio dos companheiros, essa sobrecarga infelizmente é ainda maior.

Diante de todo esse descontrole emocional que 2020 trouxe para as nossas vidas, não nos resta outra opção a não ser tentar readaptar a rotina e conseguir lidar com os próprios problemas. Acredito também que o momento, agora, é de buscarmos coisas menos grandiosas no dia a dia, mas que podem ser igualmente prazerosas àquelas que experimentávamos antes da pandemia: observar o nascer e o pôr do sol, transformar o que é negativo em positivo e abandonar o espírito de resignação. Adequar-se ao ambiente talvez seja uma boa opção: já que você não pode sair de casa, o que de melhor é possível fazer dentro dela?

Porém, quero ressaltar que cada pessoa é individual, ou seja, deve perceber o que é melhor para si e estar atenta aquilo que lhe tira do eixo. Ao detectar seus pontos de tensão, ela deve parar e começar a buscar formas de eliminar as toxicidades de sua vida.

*Psicóloga do Cetus Oncologia

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