Cenário econômico para 2019

Opinião / 27/12/2018 - 06h00

Lucas Cristiano Ferreira Alves e Nelson Ferreira Filho*


Com a mudança de governo e as várias reformas previstas, as grandes e médias corporações se preparam para enfrentar um cenário incerto na economia brasileira em 2019. O presidente da República eleito e sua equipe, além da nova composição do Congresso Nacional, terão um cenário desafiador no campo da macroeconomia. As contas públicas para 2019 começam no vermelho com o elevado déficit orçamentário de R$ 139 bilhões. 

Propostas impopulares terão de ser aprovadas, como as reformas da Previdência e a tributária. Outro problema a ser enfrentado é o desemprego, que afeta 13,1 milhões de pessoas no país. Esse déficit deve ser estancado aos poucos, devido ao aquecimento gradual da atividade econômica. 

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil poderia crescer 1,4 pontos percentuais a mais por ano nos próximos 15 anos se implementassem cinco reformas em sua economia, quais sejam:

– Diminuir as barreiras comerciais: esta reforma incluiria a redução de tarifas e de normas de conteúdo nacional.

_ Reduzir barreiras ao empreendimento: nesta reforma entrariam o corte de custos administrativos e a aceleração no processo de emissão de licenças, entre elas as ambientais.

– Desenvolvimento de mercados financeiros nacionais: este item incluiria o fomento, por exemplo, da entrada de bancos privados nos mercados de crédito de longo prazo com a diminuição do papel dos bancos públicos.

– Redução da corrupção: esta medida inclui, por exemplo, o aperfeiçoamento de leis sobre contratos públicos e dos procedimentos de denúncia acerca de procedimentos ilícitos.

– Aperfeiçoar a eficácia governamental: este quesito inclui a realização de auditorias e avaliações sistemáticas nos programas do governo.

No que pesa a importância destas reformas, é a necessidade de um “ajuste fiscal duro” para evitar uma trajetória insustentável da dívida pública. Será que o Brasil está realmente preparado para essas reformas?
A expectativa, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), é que a economia brasileira poderá crescer 2,7% caso o governo eleito faça os ajustes necessários e adote medidas para melhorar o ambiente de negócios. Ainda conforme a entidade, a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deverá avançar de 3,8%, neste ano, para 4,1% em 2019, alinhando com a meta central de 4,25% fixada para o ano que vem.

Para 2019, temos as promessas de um novo governo com apoio popular. Apesar das polêmicas e do receio de alguns setores, o presidente eleito já fez acenos para o mercado. Em relação às articulações políticas, já ocorre diálogo entre os parlamentares. Assim, é possível que a economia brasileira retorne a bons resultados e volte a gerar novos empregos, como nos idos de 2008 a 2010. 

(*)Lucas Cristiano Ferreira Alves é mestre em Sistemas de Informação e Gestão do Conhecimento, professor dos Cursos Administração e Engenharia de Produção das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte e 
(*) Nelson Ferreira Filho é doutor em Engenharia de Produção, coordenador e professor do Curso de Administração e Engenharia de Produção das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte.
 

 

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