Cirurgias aliadas à reprodução

Opinião / 03/12/2018 - 07h00

Algumas doenças podem influenciar direta ou indiretamente a fertilidade como endometriose, miomas, pólipos e malformação uterina. Neste contexto, as cirurgias são fortes aliadas no diagnóstico de problemas que podem estar associados à dificuldade de reprodução, podendo, inclusive, atuar na cura de algumas destas complicações. 

No caso da endometriose, por exemplo, o tratamento pode ser cirúrgico, para a retirada de aderências que possam afetar o funcionamento das trompas para a captação dos óvulos e a remoção dos focos que possam estar impedindo a gravidez. A cirurgia realizada é a laparoscopia que, além de essencial para confirmar o diagnóstico e graduar o comprometimento dos órgãos afetados pela doença, pode também atuar na cura por meio da cauterização e ressecção dos focos.

Antigamente, as estatísticas apontavam o reaparecimento da endometriose em até 30% das mulheres. Hoje, sabe-se que isso acontecia porque alguns focos não eram totalmente extirpados na laparoscopia, principalmente nos casos de endometriose profunda. Com a utilização do ultrassom com preparo intestinal e da ressonância nuclear magnética, essa realidade mudou. Como estes exames acusam a profundidade e a extensão da lesão com precisão, o cirurgião sabe exatamente onde ir e quanto tirar em cada foco. Por isso, hoje em dia, as chances de a doença voltar são muito menores e tendem a diminuir ainda mais com o avanço da medicina.

No entanto, ao verificar determinada alteração durante os exames, o cirurgião especializado em reprodução humana deve ter experiência e capacidade para discernir as reais vantagens de um tratamento cirúrgico. Caso contrário, os traumas dessa cirurgia poderão piorar ainda mais a saúde reprodutiva dessa paciente.

Outro procedimento cirúrgico que pode restituir a fertilidade é a miomectomia. Os miomas são tumores benignos que ocorrem no útero. Formados por fibras musculares, eles surgem pela reprodução anormal das células e são mais frequentes em mulheres acima dos 35 anos. De acordo com o tamanho e a localização, os miomas apresentam ou não sintomas como cólicas fortes, dores nas relações sexuais e menstruações longas e volumosas, acompanhadas ou não de coágulos de sangue. 

A cirurgia para remoção do mioma retira apenas as partes fibrosas do útero, mantendo o órgão intacto e normalizando a anatomia da cavidade endometrial, restabelecendo, assim, as chances de gravidez. É importante enfatizar a importância de consultar um médico especialista em Reprodução Assistida para orientar sobre as técnicas que podem ser utilizadas em cada caso.

Marco Melo

Diretor da Clínica Vilara

 

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