Cochilos à tarde associados a uma melhor agilidade mental

Opinião / 19/02/2021 - 06h00

Rubens de Fraga Júnior*

irar uma soneca regular à tarde pode estar relacionado a uma melhor agilidade mental, sugere uma pesquisa publicada na revista online General Psychiatry.

Tirar uma sesta parece estar associado a uma melhor orientação, fluência verbal, e memória de trabalho.

A expectativa de vida mais longa e as alterações neurodegenerativas associadas que a acompanham, aumentam a incidência da demência, com cerca de 1 em cada 10 pessoas com mais de 65 anos de idade afetadas no mundo desenvolvido.

Conforme as pessoas envelhecem, seus padrões de sono mudam, com cochilos à tarde se tornando mais frequentes. Mas as pesquisas publicadas até agora não chegaram a um consenso sobre se os cochilos à tarde podem ajudar a evitar o declínio cognitivo e a demência em pessoas idosas ou se podem ser um sintoma de demência.

Os pesquisadores avaliaram 2.214 pessoas aparentemente saudáveis com pelo menos 60 anos e residentes em várias grandes cidades da China, incluindo Pequim, Xangai e Xian.

Ao todo, 1534 tiraram uma soneca regular à tarde, enquanto 680 não. Todos os participantes foram submetidos a uma série de exames de saúde e avaliações cognitivas, incluindo o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) para verificar se havia demência.

A duração média do sono noturno foi em torno de 6,5 horas em ambos os grupos.

Os cochilos da tarde foram definidos como períodos de pelo menos cinco minutos consecutivos de sono, mas não mais do que 2 horas, e realizados após o almoço. Os participantes foram questionados sobre a frequência com que cochilavam durante a semana; isso variava de uma vez por semana a todos os dias.

Os testes de triagem de demência incluíram 30 itens que mediram vários aspectos da capacidade cognitiva e função cortical superior, incluindo habilidades visual-espaciais, memória de trabalho, atenção, resolução de problemas, orientação e fluência verbal.
Os escores de desempenho cognitivo do MMSE foram significativamente mais altos entre os que dormiam do que entre aqueles que não dormiam. E havia diferenças significativas na orientação, fluência verbal e memória.

Este é um estudo observacional e, portanto, não é possível estabelecer a causa.

Mas existem algumas explicações possíveis para as observações encontradas, dizem os pesquisadores.

Uma teoria é que a inflamação é um mediador entre cochilos do meio-dia e desfechos ruins para a saúde; substâncias inflamatórias têm um papel importante nos distúrbios do sono, observam os pesquisadores.

Fonte: Relationship between afternoon napping and cognitive function in the ageing Chinese population, General Psychiatry, DOI: 10.1136/gpsych-2020-100361

*Professor de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná

 

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