Como a pandemia impulsionou o conceito de Delivery Urbano

Opinião / 21/01/2021 - 06h00

Daniel Dardis*

Desde o início da pandemia, muita coisa mudou, e nossas vidas viraram de cabeça para baixo. Muitos hábitos foram alterados ou deixaram de existir. É impossível pensar, hoje, em um metrô abarrotado de gente, todos sem máscara, se encostando, com as janelas fechadas. Ou então, festas repletas de gente, museus, cinemas, ou qualquer outra atividade que inclua mais de dez pessoas em um distanciamento menor do que 1,5 metro entre as pessoas. Por mais que seja frustrante, devemos aceitar e entender que é tudo para nosso próprio bem.

Nem todas as mudanças, porém, vieram para dificultar as coisas. Um dos hábitos que mais se popularizou nos últimos meses foi o da entrega em casa. Sem poder sair e com inúmeras restrições devido aos protocolos de saúde para evitar o contágio da Covid-19, muita gente passou a utilizar plataformas de delivery como uma opção fácil e segura de consumir alimentos, além de ser uma alternativa simples e rápida para realizar compras com roupas, itens para casa, saúde, beleza, eletrônicos e basicamente qualquer coisa que possa ser enviada para a casa do consumidor.

O delivery não surgiu em 2020. Há muito tempo, lojas e estabelecimentos oferecem aos clientes a opção de entrega a domicílio, mas nunca antes fez-se tanto uso dessa opção. Uma pesquisa realizada pela Neotrust/Compre&Confie estima que, desde o início da pandemia, cerca de 5,7 milhões de pessoas tenham aderido ao e-commerce no Brasil. São quase 6 milhões de novos usuários, sem contar as pessoas que já utilizavam o serviço e que apenas aumentaram a dose semanal.

Segundo outra pesquisa de comportamento online da Nielsen/Toluna, 45% dos entrevistados alegam utilizar aplicativos de delivery por até 3 horas semanais, durante a pandemia. Desses, 46% deles admitem que houve um aumento nesse tempo em comparação ao mesmo período de 2019.

Essa necessidade de manter uma vida perto do que era considerado normal, com compras em lojas e jantares em restaurantes, fez crescer a saída mais evidente: a de reproduzir o lifestyle em casa. Afinal, se não podemos sair, que nossos lugares favoritos venham até nós, certo?

Um dos maiores problemas desse boom de delivery, no entanto, foi a falta de estrutura de pequenos e médios estabelecimentos comerciais. Nem todo mundo tem à disposição uma enorme frota de motoboys, ou então, o efetivo necessário para garantir a normalização da produção e do volume de vendas. Com isso, empresas especializadas na questão logística da operação ganharam força, reduzindo custos e agilizando as entregas, gerando, assim, mais qualidade para o consumidor final.

Mesmo com essa nova concorrência, a Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, divulgou um estudo no qual afirma que as empresas mais tradicionais de delivery cresceram em torno de 94% durante o período de quarentena, no Brasil.

Vivemos um momento atípico, e as dificuldades atingiram pessoas de todos os cantos do mundo. Uma das poucas coisas que podemos fazer em momentos de crise, porém, é aprendermos a nos reinventar. O delivery urbano ganhou uma nova faceta, um novo fôlego, e tem mostrado que chegou para ficar, se incorporando cada vez mais na rotina do consumidor moderno.

* É fundador e CEO da Foody Delivery, startup de logística automatizada que oferece soluções para delivery e setor de food service.

 

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